El Niño aumenta o risco de surtos de febre do Vale do Rift na África Oriental

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) alertaram para o aumento do risco de surtos de febre do Vale do Rift na África Oriental, devido às fortes chuvas e inundações associadas ao fenómeno climático El Niño. Num comunicado divulgado a 30 de Outubro, as duas organizações apelaram aos países da região para reforçarem a vigilância epidemiológica e as medidas de preparação, perante a previsão de condições favoráveis à propagação da doença entre Outubro de 2026 e Janeiro de 2027.

A febre do Vale do Rift é uma doença viral que afecta sobretudo animais, como bovinos, ovinos, caprinos, búfalos e camelos, mas também pode infectar seres humanos. A transmissão ocorre principalmente através da picada de mosquitos infectados, podendo igualmente acontecer pelo contacto directo com animais doentes ou com produtos de origem animal contaminados. As inundações favorecem a formação de locais de reprodução dos mosquitos e podem dificultar os serviços veterinários, aumentando o risco de propagação da doença.

Segundo a avaliação da FAO e da IGAD, a Etiópia, o Quénia, a Somália, o Sudão do Sul, a Tanzânia e o Uganda estão entre os países com maior risco. O Burundi e o Ruanda também registam uma situação de preocupação crescente. O alerta abrange ainda as Comores, o norte de Madagáscar, Mayotte, o sudoeste da Arábia Saudita e o oeste do Iémen. As previsões apontam para precipitação acima da média em grande parte da região, com probabilidades superiores a 90% de se registarem mais de 400 milímetros de chuva em zonas do sul da Etiópia, do Quénia e do centro e sul da Somália.

A FAO considera que as condições climáticas previstas poderão criar habitats favoráveis à reprodução de mosquitos e ampliar as áreas adequadas à transmissão do vírus. A situação é particularmente preocupante por apresentar semelhanças com as condições observadas em 1997 e 1998, quando a África Oriental foi atingida por uma das maiores epidemias de febre do Vale do Rift já registadas. A organização recomenda o reforço da vigilância baseada no risco, a disponibilização antecipada de vacinas e outros materiais essenciais e uma maior coordenação entre países e sectores, segundo a abordagem «Uma Só Saúde», que articula a saúde humana, animal e ambiental.

Para apoiar a prevenção, a FAO utiliza uma ferramenta de alerta precoce que combina imagens de satélite, previsões meteorológicas, dados epidemiológicos e avaliações de especialistas para identificar zonas com maior probabilidade de surtos até três meses antes. A plataforma permite orientar a vigilância e preparar respostas antes da disseminação da doença, procurando proteger os efectivos pecuários, os meios de subsistência das comunidades e a saúde das populações.

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