A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou o regresso do fenómeno climático El Niño e alertou para uma provável intensificação de fenómenos meteorológicos extremos em diversas regiões do planeta nos próximos meses.
Segundo a agência das Nações Unidas, existe uma probabilidade de 80% de o El Niño se desenvolver entre junho e agosto de 2026, aumentando para 90% nos meses seguintes. A previsão aponta para temperaturas acima da média em grande parte do mundo, agravando os riscos associados a ondas de calor, secas severas e precipitações intensas.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou que o impacto do El Niño ultrapassa largamente a região do Oceano Pacífico, influenciando sectores como a agricultura, os recursos hídricos, a produção de energia, o comércio e os meios de subsistência de milhões de pessoas.
A responsável recordou que o episódio de El Niño registado entre 2023 e 2024 esteve entre os cinco mais intensos de sempre e contribuiu para os recordes de temperatura global observados em 2024.
Embora a OMM sublinhe que não existem evidências de que as alterações climáticas estejam a aumentar a frequência ou a intensidade do fenómeno, alerta que o aquecimento global amplifica os seus efeitos. Oceanos e atmosfera mais quentes fornecem energia adicional para eventos extremos, tornando mais severas as consequências de secas, inundações e tempestades.
Face ao cenário previsto, a organização apelou aos governos para reforçarem os sistemas de alerta precoce e os mecanismos de preparação e resposta a desastres naturais.
Também o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que o regresso do El Niño poderá agravar ainda mais os efeitos do aquecimento global. Numa mensagem em vídeo, defendeu uma ação climática mais ambiciosa, incluindo a redução da dependência dos combustíveis fósseis, a aceleração da transição para energias renováveis e o reforço da proteção das populações mais vulneráveis.
O El Niño e a La Niña constituem as duas fases opostas do fenómeno conhecido como Oscilação Sul-El Niño (ENSO), um dos principais motores naturais da variabilidade climática global. O El Niño caracteriza-se pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental, ocorrendo geralmente a cada dois a sete anos e podendo durar entre nove e doze meses.
A OMM adverte que mesmo episódios considerados moderados são suficientes para aumentar significativamente o risco de fenómenos meteorológicos e climáticos extremos em várias regiões do mundo.