A procura de cuidados continuados nas Américas deverá aumentar significativamente nas próximas décadas, acompanhando o envelhecimento da população. Até 2050, estima-se que 306 milhões de pessoas na região tenham 60 ou mais anos, representando mais de um quarto da população. Apesar dos progressos legislativos, apenas 15 dos 35 Estados-membros da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) dispõem de sistemas formais de cuidados com financiamento público.
A conclusão consta de um relatório conjunto da OPAS e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), divulgado a 29 de Outubro, que alerta para a diferença entre o reconhecimento legal dos cuidados continuados e a disponibilidade efectiva dos serviços. Embora 88% dos países das Américas tenham integrado esta área na legislação, nas políticas ou nos planos nacionais, persistem problemas de financiamento e de articulação entre os serviços de saúde e de protecção social.
Segundo o documento, a fragmentação dos serviços dificulta a realização de avaliações coordenadas e a elaboração de planos de cuidados adaptados às necessidades de cada pessoa. Esta situação pode comprometer a continuidade da assistência e aumentar a pressão sobre as famílias, que acabam por assumir grande parte das responsabilidades, seja através de cuidados não remunerados, seja pelo pagamento directo de serviços.
O relatório estima que o valor económico dos cuidados informais de longa duração possa representar entre 0,8% e 4,9% do produto interno bruto anual dos países. A subdirectora da OPAS, Mary Lou Valdez, defende que o investimento neste sector deve ser encarado como uma aposta na saúde da população, no fortalecimento das famílias e na resiliência das sociedades. Apenas sete dos 27 países que responderam a uma questão específica reconheceram legalmente os cuidadores informais e o seu direito a receber apoio.
O Uruguai é apresentado como exemplo de coordenação, através do Sistema Nacional Integrado de Cuidados, criado em 2015, que reúne ministérios, governos locais e sociedade civil. O sistema prevê avaliações normalizadas das necessidades, financiamento público, comparticipações ajustadas aos rendimentos e requisitos de qualidade e formação profissional. A OPAS está também a apoiar os países na implementação da Política Regional de Cuidados de Longa Duração 2025-2034, que promove a integração dos serviços de saúde, os cuidados comunitários e o apoio aos cuidadores.