Uma equipa de investigadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC) concluiu que uma dieta inspirada no padrão alimentar mediterrânico, com baixo teor de proteína e níveis cuidadosamente equilibrados do aminoácido metionina, poderá favorecer um envelhecimento mais saudável. Os resultados, publicados na revista científica Cell Metabolism, mostram que ratos alimentados com este regime viveram mais tempo com boa saúde, reduziram a gordura corporal e apresentaram menor fragilidade à medida que envelheciam.
O estudo revela que a dieta, predominantemente baseada em alimentos de origem vegetal e peixe, permitiu aos animais consumir mais alimentos sem aumentar a gordura corporal, preservando simultaneamente a massa muscular. Os cientistas verificaram ainda melhorias em vários marcadores metabólicos associados à saúde cardiovascular, incluindo níveis mais elevados de hormonas envolvidas na regulação do metabolismo e do envelhecimento. Segundo os autores, o equilíbrio da metionina — presente em alimentos como carne, ovos e produtos lácteos — parece ser mais determinante do que a quantidade total de proteína ingerida.
Os investigadores analisaram também dados alimentares e clínicos de mais de 200 mil pessoas, recolhidos em colaboração com a Universidade de Toronto e a Universidade de Harvard. A análise mostrou que os participantes com menor consumo de proteína animal registavam taxas mais baixas de obesidade e de diabetes tipo 2. Em contrapartida, aqueles que ingeriam maiores quantidades de proteína animal apresentavam um risco significativamente superior de desenvolver estas doenças, mesmo quando consumiam menos calorias e mantinham hábitos alimentares considerados saudáveis.
Apesar dos resultados promissores, os autores alertam que as conclusões obtidas em modelos animais não podem ser diretamente aplicadas aos seres humanos. O próximo passo será realizar ensaios clínicos controlados para avaliar se esta denominada “dieta da longevidade” produz benefícios semelhantes em pessoas. Os investigadores sublinham ainda que qualquer alteração significativa na alimentação deve ser feita com acompanhamento de profissionais de saúde, especialmente em idosos ou pessoas com doenças crónicas.