Um estudo da Universidade de Columbia encontrou uma associação entre a exposição durante a gravidez ao pesticida clorpirifós e alterações persistentes no desenvolvimento cerebral, acompanhadas por um desempenho motor mais reduzido durante a infância e adolescência.
Na investigação, publicada na revista JAMA Neurology, acompanhou 270 crianças que tinham níveis detetáveis de clorpirifós no sangue do cordão umbilical, que foram avaliados entre os 6 e os 14 anos através de exames de imagem cerebrais e testes comportamentais.
Os investigadores observaram uma relação dependente da exposição: quanto maiores os níveis pré-natais do pesticida, mais pronunciadas foram as alterações ocorridas na estrutura, função e metabolismo cerebral. As crianças mais expostas também apresentaram piores resultados em testes relacionados com velocidade e progresso motora.
O clorpirifós pertence ao grupo dos pesticidas organofosforados e foi amplamente utilizado durante décadas. Nos Estados Unidos, o uso residencial em espaços interiores foi restringido em 2001, mas continua presente em determinados contextos agrícolas. A exposição pode ocorrer através do ambiente agrícola, do contacto com poeiras ou, em alguns casos, de resíduos associados à produção alimentar.
Os autores alertam, contudo, para uma interpretação cuidadosa dos resultados: o estudo mostra associação e não prova, por si só, uma relação direta de causa e efeito em todos os casos individuais . Ainda assim, os dados reforçam preocupações já existentes sobre a vulnerabilidade do cérebro durante a gravidez e nos primeiros anos de vida.
A equipe enfatiza que a redução de exposições desnecessárias às substâncias químicas neurotóxicas durante a gestação continua a ser uma medida preventiva importante, enquanto novas investigações investigam melhor os mecanismos biológicos envolvidos e avaliam se outros pesticidas da mesma família poderão produzir efeitos semelhantes.