A maioria dos jovens continua a desejar constituir família e ter filhos, mas fatores como a insegurança financeira, a precariedade no emprego e o elevado custo da habitação dificultam a concretização desses planos. A conclusão consta do relatório “Vidas, Escolhas e Futuros”, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), que analisou as respostas de mais de 108 mil jovens adultos, entre os 18 e os 39 anos, em 73 países e territórios.
O estudo conclui que a quebra das taxas de natalidade registada em várias regiões do mundo não resulta de uma menor vontade de casar ou de ter filhos, mas sim da falta de condições económicas e sociais para o fazer. Na maioria dos países analisados, dois filhos continuam a ser o tamanho de família considerado ideal e uma parte significativa das pessoas entre os 35 e os 39 anos que ainda não têm filhos afirma que gostaria de ser mãe ou pai.
Entre os principais fatores apontados para adiar ou abandonar os planos de parentalidade, 88% dos inquiridos referem a necessidade de alcançar estabilidade financeira, 87% consideram essencial ter um emprego estável e 85% destacam a importância da preparação emocional. Além disso, 72% identificam as dificuldades económicas e o acesso à habitação como os maiores entraves à decisão de ter filhos, enquanto 57% apontam esses mesmos fatores como obstáculos à formação de um casal.
O relatório revela ainda que o casamento continua a ser uma aspiração para mais de dois terços dos jovens inquiridos. Apesar disso, um quarto das pessoas entre os 25 e os 39 anos que gostaria de casar ou viver com um parceiro encontra-se atualmente solteira e sem relacionamento. Para o UNFPA, os resultados demonstram que as políticas públicas devem centrar-se na criação de condições que permitam aos jovens tomar decisões livres sobre a sua vida familiar, garantindo acesso a emprego digno, habitação e apoio social.