Um amplo estudo europeu concluiu que uma versão adaptada da dieta mediterrânica, combinada com atividade física regular e perda moderada de peso, pode reduzir em 31% o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. A investigação foi realizada pela Universidade de Navarra e envolveu mais de 200 investigadores de universidades e centros de saúde espanhóis.
O projeto, denominado PREDIMED-Plus, acompanhou durante seis anos 4.746 adultos com excesso de peso ou obesidade e síndrome metabólica, mas sem diabetes ou doenças cardiovasculares no início do estudo. Os resultados foram publicados na revista científica Annals of Internal Medicine e apontam para benefícios de pequenas mudanças sustentáveis no estilo de vida.
Os participantes que seguiram uma dieta mediterrânica com redução calórica, associada ao exercício físico moderado e acompanhamento profissional, obtiveram melhores resultados daqueles que seguiram apenas a dieta mediterrânica tradicional. Em média, perderam 3,3 quilos e reduziram a deficiência abdominal em 3,6 centímetros, enquanto o grupo de controlo registou perdas muito inferiores.
Segundo o pesquisador principal do estudo, Miguel Ángel Martínez-González, os resultados demonstram que mudanças moderadas, mas consistentes, podem ter um impacto significativo na prevenção do diabetes tipo 2. O especialista destacou ainda que a combinação entre alimentação saudável, atividade física e apoio profissional constitui uma estratégia eficaz e sustentável de saúde pública.
O investigador explicou que a dieta mediterrânica atua na melhoria da sensibilidade à insulina e na redução da desconforto, benefícios que são potencializados quando associados ao controle calórico e ao exercício físico. Além disso, estudos recentes ligados ao PREDIMED-Plus apontam também para melhorias na saúde cardiovascular, redução da gordura visceral e preservação da massa muscular em adultos mais velhos.
A investigação surge numa altura em que a diabetes tipo 2 continua a crescer a nível global. Dados internacionais indicam que mais de 530 milhões de pessoas vivem atualmente com a doença em todo o mundo, tornando a prevenção uma prioridade para os sistemas de saúde.