A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alerta que o aumento da frequência e da intensidade dos choques nos mercados mundiais de alimentos exige uma maior cooperação internacional e políticas comerciais coordenadas para garantir a segurança alimentar. A conclusão consta da edição de 2026 do relatório Estado dos Mercados de Produtos Agrícolas (SOCO), que analisa a forma como os mercados podem responder a crises provocadas por fenómenos climáticos extremos, conflitos, pandemias e perturbações económicas.
Segundo a FAO, o comércio mundial de alimentos e produtos agrícolas quintuplicou desde 2000, atingindo cerca de 2 biliões de dólares, tornando os países cada vez mais interdependentes. O relatório conclui que redes comerciais diversificadas e bem integradas permitem responder mais rapidamente às ruturas no abastecimento, enquanto restrições às exportações impostas pelos principais produtores tendem a agravar a instabilidade dos mercados e a aumentar a insegurança alimentar.
A organização destaca que, durante a pandemia de Covid-19, a redução do recurso a restrições às exportações contribuiu para limitar o impacto sobre o comércio alimentar mundial, ao contrário do que aconteceu na crise alimentar de 2007-2008. A FAO estima ainda que, num cenário de forte fenómeno El Niño, a adoção de restrições às exportações poderia empurrar mais 21,4 milhões de pessoas para a fome.
O relatório defende igualmente a criação de pequenas reservas alimentares de emergência, articuladas com sistemas de proteção social dirigidos às populações mais vulneráveis, em vez de grandes reservas destinadas a controlar preços, consideradas financeiramente insustentáveis. Para a FAO, reforçar a cooperação internacional, preservar um sistema comercial multilateral eficaz e evitar medidas protecionistas serão fatores determinantes para aumentar a resiliência dos mercados alimentares e reduzir o risco de futuras crises globais.