A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) destacou a importância do cultivo tradicional da erva-mate no sul do Brasil como um modelo que alia produção agrícola, conservação ambiental e preservação cultural, contribuindo para a manutenção da floresta com araucárias, um dos ecossistemas mais ameaçados da Mata Atlântica.
No centro-sul do estado do Paraná, a erva-mate é cultivada sob o dossel da floresta nativa, num sistema sombreado que evita o desmatamento e garante a cobertura vegetal. Segundo a FAO, esta prática sustenta a agricultura familiar, protege a biodiversidade e assegura meios de subsistência para centenas de famílias rurais.
Os produtores locais aplicam princípios agroecológicos, sem recurso a agroquímicos, respeitando os ciclos naturais da planta, cuja colheita ocorre, em média, a cada três anos. O sistema florestal diversificado contribui ainda para o controlo natural de pragas e para a proteção de espécies nativas como a araucária, a imbuia e a canela-guaicá.
Para além do valor económico e ambiental, a erva-mate tem forte significado cultural e histórico, sobretudo entre comunidades indígenas Guarani, que utilizam a planta há gerações em rituais e práticas comunitárias, mantendo regras colectivas de manejo sustentável da floresta.
Em reconhecimento deste modelo, a FAO atribuiu, em Maio de 2025, ao sistema tradicional de erva-mate sombreada do Paraná o título de Sistema Importante do Património Agrícola Mundial, sublinhando que a preservação da floresta com araucárias depende directamente das comunidades que a mantêm viva, produtiva e partilhada.