A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresentou um novo modelo estratégico internacional para reforçar o combate às doenças transfronteiriças dos animais, uma ameaça crescente à segurança alimentar, aos meios de subsistência e à saúde pública. O Programa de Parceria Global da FAO para Doenças Transfronteiriças dos Animais (GPP-TAD) pretende criar uma resposta mais coordenada, liderada pelos países e baseada na cooperação entre governos, produtores, setor privado e instituições financeiras.
Durante a apresentação do programa, em Roma, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, alertou que doenças como a gripe aviária altamente patogénica, a febre aftosa, a peste suína africana e outras enfermidades continuam a espalhar-se com maior rapidez e impacto económico. Segundo o responsável, a prevenção representa um investimento muito mais eficaz do que a resposta a crises já instaladas, defendendo uma abordagem integrada de “Uma Só Saúde”, que envolva a saúde animal, humana, vegetal e ambiental.
O GPP-TAD prevê a criação de Plataformas Nacionais de Parceria, reunindo autoridades públicas, produtores, organizações agrícolas, empresas privadas, fundações e parceiros financeiros, com o objetivo de melhorar a prevenção, a deteção precoce e o controlo das doenças. A iniciativa surge após os países membros da FAO terem reforçado, em 2025, a necessidade de aumentar os recursos destinados à preparação e resposta contra ameaças sanitárias de origem animal.
Até ao momento, 110 países manifestaram oficialmente interesse em aderir ao novo programa, demonstrando apoio político e financeiro a uma estratégia global mais sustentável. A iniciativa pretende substituir uma abordagem baseada sobretudo em projetos individuais financiados por doadores por um modelo de cooperação permanente, no qual os países assumem a liderança e a FAO presta apoio técnico e coordenação internacional.
O programa será desenvolvido em cinco áreas principais: prevenção e controlo de doenças, vigilância digital e sistemas de alerta precoce, preparação e resposta antecipada a riscos, atuação rápida em emergências e reforço da legislação, parcerias e mecanismos de financiamento. A FAO continuará a disponibilizar dados epidemiológicos, orientações técnicas e apoio de emergência, com o objetivo de proteger a produção alimentar mundial e reduzir o impacto das doenças animais nas comunidades mais vulneráveis.