IA pode ajudar a detetar mais cedo cancros da mama agressivos, indica estudo

A utilização de inteligência artificial (IA) no rastreio mamário pode ajudar a identificar mais cedo cancros da mama agressivos e reduzir a carga de trabalho dos radiologistas, segundo um grande ensaio clínico realizado na Suécia.

O estudo, publicado na The Lancet, analisou cerca de 100 mil mulheres entre os 40 e os 80 anos que participaram no programa nacional de rastreio entre 2021 e 2022. Os investigadores compararam o rastreio convencional — com leitura por dois radiologistas — com um modelo apoiado por IA, em que o sistema assinalava áreas suspeitas e um médico tomava a decisão final.

Os resultados mostraram uma redução de 12% nos chamados “cancros de intervalo”, tumores que surgem entre exames de rotina, crescem mais rapidamente e são mais difíceis de tratar. No grupo com apoio de IA, foram detetados mais casos durante o rastreio regular e menos cancros avançados ao longo de dois anos.

Além disso, a abordagem permitiu reduzir significativamente a carga de trabalho dos radiologistas, um benefício importante num contexto de escassez de profissionais de saúde.

Os investigadores sublinham que a IA funciona como ferramenta de apoio e não substitui os médicos. Especialistas alertam que são necessários mais estudos antes de uma adoção alargada, defendendo que estes sistemas devem ser avaliados com o mesmo rigor aplicado a novos tratamentos médicos.

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