Um estudo realizado pelo Lawson Research Institute, no Canadá, revelou que o ambroxol — um medicamento amplamente utilizado para tratar tosse na Europa — pode retardar a progressão da demência associada à doença de Parkinson. Os resultados foram publicados em 30 de junho na revista JAMA Neurology e sugerem que o fármaco, além de ser seguro, pode oferecer proteção cerebral em pacientes com mutações genéticas específicas.
Durante 12 meses, 55 participantes diagnosticados com demência de Parkinson foram acompanhados. Aqueles que tomaram ambroxol diariamente apresentaram estabilidade nos sintomas psiquiátricos e nos marcadores sanguíneos de dano cerebral, enquanto o grupo placebo mostrou piora clínica. Em pessoas com a mutação GBA1, considerada de alto risco, o desempenho cognitivo chegou até a melhorar.
A equipa de cientistas, liderada pelo neurologista Stephen Pasternak, planeia agora um novo ensaio clínico, voltado exclusivamente para os efeitos do ambroxol na cognição.
Embora o ambroxol ainda não seja aprovado para uso nos Estados Unidos ou no Canadá, o avanço da pesquisa aponta para um caminho promissor no tratamento da demência de Parkinson, uma condição que afeta cerca de metade dos pacientes diagnosticados com a doença ao longo de 10 anos.