Mesmo poucos cigarros por dia aumentam risco cardíaco durante décadas, revela estudo

Um novo estudo publicado na revista PLOS Medicine conclui que mesmo fumar apenas alguns cigarros por dia pode aumentar de forma significativa o risco de doenças cardíacas e de morte prematura. A investigação, conduzida por uma equipa do Centro Ciccarone para Prevenção de Doenças Cardiovasculares da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, demonstra que os danos causados pelo tabaco não se restringem aos fumadores intensivos e podem persistir durante décadas, mesmo após deixar de fumar.

A análise reuniu dados de mais de 300 mil adultos acompanhados ao longo de 22 estudos longitudinais, durante quase 20 anos. Os investigadores identificaram mais de 125 mil mortes e 54 mil eventos cardiovasculares, como enfartes, AVC e insuficiência cardíaca. Os resultados mostram que quem fuma entre dois e cinco cigarros por dia tem um risco 50% maior de insuficiência cardíaca e 60% maior de morte por todas as causas, quando comparado com pessoas que nunca fumaram.

Embora a cessação tabágica traga benefícios substanciais — com uma forte redução do risco cardiovascular nos primeiros 10 anos — os investigadores alertam que alguns efeitos nocivos permanecem por longos períodos. Mesmo décadas após deixar de fumar, os ex-fumadores continuam a apresentar risco superior ao dos não fumadores ao longo da vida.

Segundo os autores, a única forma realmente eficaz de reduzir os danos é abandonar completamente o tabagismo, especialmente em idades mais jovens. A equipa sublinha que reduzir a quantidade fumada não oferece a mesma proteção e reforça a necessidade de campanhas de saúde pública mais incisivas, lembrando que “até doses muito baixas de tabaco têm impactos cardiovasculares significativos”.

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