Mundo à beira de nova pandemia, e ninguém está preparado

O mundo enfrenta um risco crescente de uma nova pandemia global e continua sem estar devidamente preparado para responder a uma futura crise sanitária. O alerta foi lançado pelo Global Preparedness Monitoring Board, organismo independente criado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Banco Mundial, num relatório divulgado durante a 79.ª Assembleia Mundial da Saúde.

O documento refere que os surtos de doenças infecciosas estão a tornar-se mais frequentes e potencialmente mais devastadores do que a pandemia da COVID-19. Entre os principais fatores de preocupação estão a fragmentação geopolítica, a diminuição do investimento internacional em saúde pública, a desinformação e a crescente desconfiança das populações em relação às instituições científicas e governamentais.

Segundo o relatório, o planeta continua a registar fortes desigualdades no acesso a vacinas, tratamentos e meios de diagnóstico, sobretudo nos países de baixos rendimentos. Os especialistas recordam que, durante crises recentes como o Ebola e a mpox, muitos países africanos receberam vacinas e medicamentos com grande atraso, situação que poderá repetir-se numa futura emergência sanitária.

O Conselho recomenda aos governos a criação de mecanismos permanentes de vigilância epidemiológica, maior financiamento para sistemas de saúde e a conclusão de acordos internacionais que garantam uma resposta coordenada a futuras pandemias. O relatório destaca ainda que a inteligência artificial poderá desempenhar um papel importante na deteção precoce de surtos, desde que existam regras claras de utilização e proteção de dados.

Os responsáveis do GPMB alertam que o mundo dispõe atualmente de conhecimento científico e tecnologia suficientes para enfrentar novas ameaças sanitárias, mas sublinham que a falta de cooperação política e de liderança internacional continua a ser o maior obstáculo. “

O tempo está a esgotar-se”, conclui o relatório, defendendo medidas urgentes para evitar que a próxima pandemia tenha consequências ainda mais graves do que a COVID-19.

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