Mundo está longe de cumprir metas dos sistemas alimentares até 2030

O mundo está longe de alcançar a maioria das metas estabelecidas para transformar os sistemas alimentares até 2030, revela a mais recente avaliação da Iniciativa Contagem Regressiva dos Sistemas Alimentares. O estudo, publicado na revista Nature Food, analisou 197 países e 44 indicadores relacionados com alimentação, saúde, ambiente, meios de subsistência, governação e resiliência, concluindo que o progresso global permanece demasiado lento.

A análise mostra que, entre 30 indicadores avaliados, apenas um — as assinaturas de telefonia móvel, utilizado como indicador de conectividade e resiliência — já foi alcançado pela maioria dos países. Em 22 indicadores, menos de um terço dos países deverá atingir as respectivas metas ou referências globais até 2030. Um dos maiores atrasos verifica-se nas emissões de gases com efeito de estufa provenientes dos sistemas alimentares, cuja média global está 75% abaixo do nível necessário, não sendo previsto que nenhum país alcance a meta ao ritmo actual.

As diferenças regionais também são significativas. Os países africanos teriam de melhorar entre 15% e 20% por ano em 23 indicadores para conseguirem cumprir as metas de 2030, enquanto a Ásia teria de reduzir a insegurança alimentar em mais de 63% anualmente. Mesmo as regiões de rendimento elevado enfrentam dificuldades: na Europa, 19 indicadores continuam fora de alcance até ao final da década. O estudo identifica ainda tendências negativas nas vendas de alimentos ultraprocessados, utilização de pesticidas, captação de água para a agricultura e emissões dos sistemas alimentares.

Apesar do cenário preocupante, os investigadores identificam alguns sinais positivos. Em sete dos 33 indicadores analisados, pelo menos um terço dos países já se encontra no caminho para alcançar as metas de 2030, enquanto metade dos indicadores apresenta uma evolução global considerada favorável.

O estudo considera ainda que os objectivos para 2050 continuam a ser alcançáveis, desde que os países acelerem significativamente as mudanças e adoptem metas regionais e por grupos de rendimento que permitam medir progressos mais realistas.

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