A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou novas diretrizes que representam uma mudança significativa na abordagem global da obesidade. Pela primeira vez, a agência recomenda o uso prolongado de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 — como liraglutida, semaglutida e tirzepatida — para tratamento da doença em adultos. A decisão ocorre num contexto em que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade e em que o problema está associado a milhões de mortes anuais.
A OMS reforça que a obesidade deve ser tratada como uma doença crónica, influenciada não só por comportamentos individuais, mas também por fatores genéticos, ambientais e sociais. As terapias com GLP-1 mostraram eficácia ao atuar no controlo do apetite e da glicemia, proporcionando perda de peso significativa em muitos pacientes. No entanto, as recomendações são condicionais, devido à falta de dados de longo prazo, ao custo elevado e à preocupação com desigualdades de acesso, especialmente em países de menor rendimento.
Outro ponto de alerta é a escassez global desses medicamentos, que tem impulsionado o surgimento de produtos falsificados ou de qualidade inferior. A OMS defende supervisão rigorosa, prescrição qualificada e cadeias de abastecimento seguras para proteger os pacientes. A agência também destaca que esses fármacos não substituem abordagens integradas, como dietas equilibradas, atividade física e acompanhamento clínico contínuo.
As diretrizes foram desenvolvidas a pedido dos Estados-membros e serão atualizadas à medida que novas evidências surgirem. Para 2026, a OMS planeia trabalhar com parceiros internacionais para garantir que os grupos com maior necessidade tenham prioridade no acesso, reconhecendo que sem políticas fortes o uso desses medicamentos pode agravar desigualdades já existentes.
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