A Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu, em Nova Iorque, um encontro dedicado ao papel do desporto na promoção da saúde mental, aproveitando a visibilidade da final do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, entre Argentina e Espanha. A iniciativa, organizada pelo Gabinete da Juventude da ONU sob o lema “Um mundo, um jogo, um objetivo”, reuniu atletas, jovens, governos e representantes de várias organizações para debater o impacto social do futebol.
O presidente da FIFA Master Alumni, Pedro Trengrouse, defendeu que o futebol, enquanto desporto mais popular do mundo, pode contribuir para melhorar o bem-estar psicológico de atletas, treinadores, adeptos e da sociedade em geral. O responsável alertou para a crescente pressão exercida pelas redes sociais sobre os jogadores, salientando que as críticas constantes e o ambiente de polarização podem afetar seriamente a saúde mental dos atletas, contribuindo para situações de ansiedade e esgotamento.
O debate surge num contexto em que um relatório recente das Nações Unidas concluiu que uma em cada sete pessoas entre os 10 e os 19 anos sofre de problemas de saúde mental. O mesmo estudo refere que a prática de desportos coletivos está associada a menores níveis de ansiedade e depressão, embora muitos jovens continuem a enfrentar dificuldades de acesso à atividade desportiva. Para os participantes, o futebol pode desempenhar um papel importante na criação de comunidades, no reforço do sentimento de pertença e na promoção da inclusão.
Pedro Trengrouse defendeu ainda que o Campeonato do Mundo Feminino de Futebol, que terá lugar no Brasil em 2027, deve centrar-se na promoção da igualdade de género e no combate à violência contra as mulheres. Segundo o especialista, o país dispõe já das infraestruturas necessárias para acolher a competição, pelo que o maior legado do torneio deverá ser social, contribuindo para a cidadania e para a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.