Projeto europeu demonstra que reutilização de águas residuais pode reduzir para metade o consumo de água nos jardins zoológicos

Um projeto financiado pela União Europeia está a demonstrar que a reutilização de águas residuais pode transformar a gestão da água nos jardins zoológicos e contribuir para enfrentar a crescente escassez hídrica na Europa. Segundo a Agência Executiva Europeia para o Clima, Infraestruturas e Ambiente, as águas residuais poderiam ser reutilizadas até seis vezes mais do que atualmente no continente, onde cerca de 40% da população já foi afetada pela escassez de água e as alterações climáticas deverão agravar a pressão sobre os recursos hídricos.

O projeto LIFE4ZOO, com um orçamento de 2,7 milhões de euros e duração até fevereiro de 2027, está a implementar sistemas inovadores de gestão circular da água no Jardim Zoológico de Liberec, na Chéquia, e num projeto-piloto no Jardim Zoológico de Barcelona, em Espanha. A iniciativa combina soluções baseadas na natureza, como zonas húmidas artificiais e ilhas flutuantes com vegetação, com tecnologias avançadas de ultrafiltração, desinfeção e recurso a energias renováveis, permitindo tratar e reutilizar a água nas operações diárias sem comprometer o bem-estar animal.

Os resultados esperados apontam para uma redução de até 50% do consumo de água no Jardim Zoológico de Liberec, equivalente a uma poupança anual de cerca de 40 mil metros cúbicos de água. Em Barcelona, estima-se que a reutilização possa vir a satisfazer aproximadamente 60% das necessidades hídricas do complexo. O projeto prevê ainda reduzir para metade a pegada de carbono associada ao abastecimento de água nas duas instalações, evitando a emissão de cerca de 92 toneladas de dióxido de carbono por ano.

Embora tenha sido desenvolvido para jardins zoológicos, o sistema poderá ser adaptado a outras infraestruturas com elevado consumo de água, como parques, lagoas e atrações turísticas. A iniciativa enquadra-se na estratégia da União Europeia para promover a economia circular, reforçar a resiliência às alterações climáticas e encarar as águas residuais como um recurso valioso, contribuindo para aliviar a pressão sobre as reservas de água potável e melhorar a sustentabilidade da gestão hídrica em toda a Europa.

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