A saúde surge como a principal preocupação dos portugueses, concentrando 55% das referências aos maiores problemas enfrentados pela população, segundo o primeiro Barómetro da Lusofonia, que será apresentado esta quarta-feira na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa. O valor situa-se acima da média dos oito países analisados, que é de 53%, num estudo inédito que traça um retrato da lusofonia contemporânea.
Em Portugal, a saúde é seguida pela educação (35%), economia (22%) e imigração (17%), enquanto o desemprego assume um peso residual, mencionado por apenas 9% dos inquiridos. De acordo com o coordenador do estudo, António Lavareda, este resultado reflecte não necessariamente piores condições de saúde, mas antes o facto de, noutros países lusófonos, existirem problemas considerados ainda mais urgentes.
O barómetro mostra também que Portugal é amplamente visto como um destino privilegiado de imigração pelos cidadãos dos restantes países da CPLP, sendo descrito como um “sonho dourado”. No plano cultural e desportivo, o futebol português lidera destacadamente o interesse no espaço lusófono, seguido pelo futebol brasileiro.
Realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas (Ipespe), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Barómetro da Lusofonia analisa 25 indicadores em áreas como saúde, educação, desemprego, violência e identidade cultural. O estudo terá periodicidade bienal e pretende afirmar-se como uma referência internacional sobre desenvolvimento, democracia e cooperação no espaço de língua portuguesa.