Um adoçante popular presente em alimentos “low carb”, barras de proteína e bebidas dietéticas pode não ser tão seguro quanto se pensava. Investigadores da Universidade do Colorado em Boulder descobriram que o eritritol pode afetar células dos vasos sanguíneos do cérebro, diminuindo sua capacidade de relaxar, aumentando o stress oxidativo e prejudicando a dissolução natural de coágulos — fatores que podem elevar o risco de acidente vascular cerebral (AVC).
O eritritol é um álcool de açúcar aprovado pela FDA em 2001, praticamente sem calorias e com efeito mínimo sobre a insulina. Por isso, tornou-se amplamente utilizado por pessoas que procuram controlar o peso ou reduzir carboidratos. No entanto, estudos epidemiológicos com cerca de 4.000 participantes na Europa e nos EUA indicaram que níveis mais altos de eritritol no sangue estavam associados a maior probabilidade de infarto ou AVC em até três anos.
Em experiências laboratoriais, as células humanas dos vasos cerebrais expostas a doses equivalentes a uma bebida dietética típica apresentaram menor produção de óxido nítrico — essencial para o relaxamento vascular — e aumento de endotelina-1, que provoca estreitamento dos vasos. Além disso, houve menor capacidade de dissolver coágulos e maior produção de radicais livres, associados a inflamação e danos celulares.
Segundo os autores, essas alterações indicam que o consumo frequente de eritritol pode criar condições favoráveis ao AVC, embora ressalvem que os resultados foram obtidos em células e não em estudos clínicos em humanos. Christopher DeSouza, professor de fisiologia integrativa e diretor do Laboratório de Biologia Vascular Integrativa, recomenda atenção aos rótulos e moderação no consumo de adoçantes à base de álcool de açúcar.
A pesquisa, publicada no Journal of Applied Physiology, reforça a necessidade de novos estudos para avaliar o impacto do eritritol na saúde cardiovascular e cerebral em situações reais, alertando consumidores para os possíveis riscos associados a esse substituto do açúcar.