Mais de 20% dos jovens adultos nos Estados Unidos recorrem à cannabis ou ao álcool para ajudar a adormecer, sendo a cannabis a substância mais utilizada, revela um estudo da Universidade de Michigan publicado no JAMA Pediatrics.
A investigação, baseada no Monitoring the Future Panel Study, acompanhou 1.473 jovens entre 19 e 30 anos e alerta que essa prática pode, a longo prazo, comprometer a qualidade do sono e aumentar o risco de problemas de dependência.
Segundo os dados, cerca de 18% dos jovens usam cannabis para dormir, enquanto apenas 7% recorrem ao álcool com o mesmo objetivo. Entre aqueles que consumiram cannabis no último ano, 41% indicaram o sono como uma das razões para o uso. Especialistas destacam que o recurso frequente a estas substâncias pode ser contraproducente, levando à tolerância e à necessidade de doses maiores para alcançar o efeito desejado, agravando problemas de sono em vez de resolvê-los.
O estudo identificou ainda diferenças significativas por género e etnia: mulheres apresentaram quase o dobro da probabilidade de usar cannabis para dormir em relação aos homens, e pessoas de outros géneros relataram um uso mais de quatro vezes superior. Jovens negros tiveram três vezes mais probabilidade do que jovens brancos de usar álcool como auxiliar do sono.
Os investigadores enfatizam que muitos jovens acreditam erroneamente que a cannabis ou o álcool melhoram o sono, embora a evidência científica sugira o contrário. Os autores recomendam que profissionais de saúde estejam atentos à relação entre problemas de sono e uso de substâncias, oferecendo orientação e apoio adequados para prevenir consequências a longo prazo.