Cientistas da Universidade Flinders, na Austrália, desenvolveram uma técnica inovadora para extrair ouro de forma limpa e ecológica — tanto de minérios quanto de lixo eletrônico, como placas de circuito e CPUs descartadas.
O método usa um reagente comum em desinfetantes de piscina (ácido tricloroisocianúrico) e um novo polímero reutilizável, substituindo substâncias tóxicas como cianeto e mercúrio, ainda amplamente usados na mineração tradicional.
Além de ser mais seguro, o processo é altamente eficiente, capaz de recuperar até traços de ouro presentes em resíduos científicos e misturas complexas. O ouro é dissolvido na água salgada e depois capturado seletivamente por um polímero rico em enxofre, que pode ser reciclado após a separação do metal, reduzindo custos e impactos ambientais. A equipA testou o método com sucesso em diferentes materiais e agora pretende ampliar a sua aplicação em escala industrial.
Essa inovação representa uma alternativa promissora para mineradores artesanais e recicladores de lixo eletrônico, setores muitas vezes associados à poluição por mercúrio. Estima-se que 20 milhões de pessoas em mais de 70 países dependem da mineração artesanal, responsável por mais de um terço da poluição global por mercúrio. A nova técnica pode ajudar a proteger a saúde dessas comunidades e, ao mesmo tempo, reduzir o desperdício de metais valiosos.
Com o crescimento acelerado do lixo eletrônico no mundo — mais de 62 milhões de toneladas só em 2022 —, soluções como essa são cada vez mais urgentes. Transformar resíduos tóxicos em recursos recicláveis é um passo essencial rumo a uma economia mais sustentável e segura.