Um estudo recente mostra que a inteligência artificial (IA), apesar de ser considerada por especialistas como uma revolução tecnológica com potencial para transformar a sociedade, continua a gerar mais receio do que entusiasmo junto do público em geral. O inquérito, realizado nos Estados Unidos a 4.446 adultos, indica que a maioria encara esta tecnologia com desconfiança.
A principal preocupação está ligada ao futuro do trabalho.
Segundo os dados, 71% dos inquiridos temem que a IA provoque desemprego em larga escala e de forma irreversível, refletindo o alerta de vários analistas sobre a possibilidade de uma década marcada por mudanças profundas no mercado laboral.
Mas os receios não se ficam pelo emprego.
Cerca de 77% dos participantes revelaram receio de que a IA seja utilizada para fins políticos, nomeadamente através da criação de deepfakes capazes de manipular a opinião pública e influenciar processos eleitorais. Já 61% mostraram-se apreensivos com o impacto ambiental da tecnologia, sobretudo devido ao elevado consumo energético associado aos centros de dados necessários para treinar e operar modelos avançados.
A perceção geral, segundo o estudo, é de intranquilidade e incerteza, em contraste com a visão otimista de líderes da indústria tecnológica como Elon Musk, Sam Altman ou Bill Gates.
Embora os dados recolhidos incidam apenas na população norte-americana, os investigadores sublinham que estas preocupações são muito provavelmente partilhadas em diferentes regiões do mundo.