ONU alerta para “epidemia global” de cibercrime e reforça urgência de resiliência digital

A Organização das Nações Unidas alertou para o aumento significativo dos riscos associados a ataques cibernéticos, sublinhando a necessidade urgente de reforçar a resiliência digital à escala global. Segundo o Instituto das Nações Unidas para Pesquisa sobre Desarmamento, cerca de 70% da população mundial depende atualmente da internet para serviços essenciais, tornando as sociedades cada vez mais vulneráveis a falhas e ataques.

De acordo com o diretor do UNIDIR, Robin Geiss, o cibercrime atingiu proporções de “epidemia global”, com prejuízos anuais de milhares de milhões de dólares e impactos diretos em infraestruturas críticas, incluindo hospitais, sistemas financeiros e serviços públicos. A crescente sofisticação dos ataques exige uma resposta mais coordenada entre Estados, empresas e organizações internacionais.

Casos recentes ilustram a dimensão do problema. O ataque informático NotPetya causou prejuízos estimados em 10 mil milhões de dólares a nível mundial, enquanto o vírus WannaCry comprometeu o funcionamento do sistema de saúde do Reino Unido e afetou mais de 150 países. Já em 2022, uma intrusão nos sistemas do Comité Internacional da Cruz Vermelha expôs dados sensíveis de mais de meio milhão de pessoas.

Perante este cenário, a ONU defende uma mudança de paradigma: mais do que proteger sistemas isolados, é essencial garantir que sociedades inteiras consigam prevenir, resistir e recuperar de ataques digitais. Este conceito, conhecido como resiliência cibernética, implica uma abordagem integrada e multilateral, num contexto em que a fragmentação tecnológica e regulatória continua a dificultar a cooperação internacional.

Entre as iniciativas em curso, destaca-se a criação de um novo mecanismo global para a segurança das tecnologias de informação e comunicação, que visa reforçar a coordenação entre governos e proteger infraestruturas críticas. Paralelamente, fóruns como a Geneva Cyber Week promovem a partilha de conhecimento e o desenvolvimento de estratégias conjuntas, numa altura em que o ciberespaço se afirma como uma das principais frentes da segurança internacional contemporânea.

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