Substituir apenas uma hora diária de televisão por actividades como desporto, sono ou outras formas de movimento pode reduzir significativamente o risco de desenvolver depressão major, sobretudo na meia-idade. A conclusão é de um estudo publicado na revista European Psychiatry, pela Cambridge University Press, que acompanhou mais de 65 mil adultos nos Países Baixos durante quatro anos.
Os investigadores concluíram que a substituição de 60 minutos de televisão por outras actividades reduziu em 11% a probabilidade de desenvolver depressão grave. Quando a realocação de tempo aumentou para 90 ou 120 minutos, a redução do risco atingiu cerca de 26%. Entre adultos de meia-idade, os efeitos foram ainda mais expressivos: menos uma hora de televisão por dia traduziu-se numa redução de quase 19% no risco, podendo chegar a 43% quando a substituição foi de duas horas.
O desporto revelou-se a actividade com maior impacto positivo. Trocar 30 minutos de televisão por prática desportiva reduziu o risco em 18%, enquanto a substituição por actividade física no trabalho ou na escola resultou numa diminuição de cerca de 10%. Actividades de lazer activo, deslocações a pé ou de bicicleta e até mais tempo de sono também demonstraram benefícios, embora em menor grau. A única substituição sem impacto relevante foi a troca de 30 minutos de televisão por tarefas domésticas.
O estudo baseou-se em dados da iniciativa holandesa “Lifelines”, envolvendo 65.454 adultos sem diagnóstico inicial de depressão, avaliados ao longo de quatro anos. Os diagnósticos foram realizados com base na Mini Entrevista Neuropsiquiátrica Internacional (MINI). Os autores sublinham que os resultados evidenciam a importância de pequenas mudanças comportamentais no quotidiano como estratégia acessível de promoção da saúde mental.