Angola defendeu o reforço da cooperação internacional, do investimento agrícola e da transferência de tecnologia como medidas fundamentais para combater a fome e a desnutrição no mundo, com particular atenção ao continente africano. A posição foi apresentada durante o Fórum Mundial da Alimentação, onde o país destacou a necessidade de transformar os recursos agrícolas disponíveis em maior produção, desenvolvimento económico e segurança alimentar.
Na sua intervenção, o representante angolano alertou para o contraste entre a abundância de alimentos nos países desenvolvidos e as dificuldades de acesso à alimentação enfrentadas por milhões de pessoas. Entre os principais factores que agravam o problema, apontou os conflitos armados, as alterações climáticas, as secas, as inundações e a desertificação, defendendo uma resposta conjunta que envolva governos, instituições científicas, organizações internacionais, sector privado e sociedade civil.
Angola destacou igualmente o potencial agrícola de África, que dispõe de terras aráveis, recursos hídricos e condições climáticas favoráveis, mas continua a enfrentar desafios relacionados com a produtividade, a formação técnica e o desenvolvimento da agricultura familiar. Para ultrapassar estas dificuldades, o país considera essencial atrair investidores que contribuam com financiamento, tecnologia e transferência de conhecimentos, sobretudo para os jovens, de forma a aumentar a produção e as exportações agrícolas e pecuárias.
No plano nacional, foi destacado o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), orçado em 4,2 mil milhões de dólares, que abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe. A iniciativa prevê a construção de albufeiras e de centenas de quilómetros de canais para assegurar o armazenamento e a distribuição de água, apoiando as populações e o desenvolvimento da agricultura e da pecuária ao longo do ano. O país salientou também a cooperação com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), bem como as iniciativas Hand-in-Hand e AgroCorredores e o potencial do Corredor do Lobito para aproximar zonas de produção, centros de transformação e mercados regionais e internacionais.
Durante o fórum, Angola anunciou ainda o seu apoio à candidatura da engenheira Josefa Leonel Correia Sacko ao cargo de directora-geral da FAO, apelando ao apoio internacional à sua eleição. A antiga comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, funções que exerceu entre 2017 e 2024, é apresentada como candidata para reforçar o papel africano na segurança alimentar mundial. O país defendeu, por fim, que a inovação deve integrar não apenas a tecnologia, mas também a investigação científica, a formação e os conhecimentos tradicionais, com vista à construção de sistemas alimentares mais resilientes e a uma prosperidade partilhada.