O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera arriscada a decisão do Governo angolano de adiar para 2028 a reforma dos subsídios aos combustíveis. A conclusão consta da avaliação Pós-Financiamento de 2025, recentemente concluída, onde o organismo alerta que a medida poderá aumentar a vulnerabilidade da economia e comprometer a capacidade de Angola cumprir os pagamentos da sua dívida externa.
O FMI já tinha recomendado a eliminação gradual destes subsídios até 2025.
Agora, ao analisar o novo calendário, o Conselho de Administração sublinha a importância de avançar com a reforma mais cedo, acompanhada de medidas de proteção social e de uma comunicação clara à população.
Segundo o relatório, os riscos aumentaram face ao ano passado devido ao elevado serviço da dívida externa, à volatilidade dos preços do petróleo e a perspetivas fiscais menos favoráveis.
O FMI defende a adoção imediata de políticas credíveis para reforçar a sustentabilidade da dívida, mobilizar apoio de doadores internacionais e melhorar a gestão das finanças públicas.
Apesar das reservas, o Fundo reconhece que Angola manteve um desempenho económico positivo em 2024, com o PIB a crescer 4,4%, impulsionado pela produção petrolífera e pela recuperação do setor não petrolífero. O superavit da conta corrente subiu para 5,4% do PIB e as reservas internacionais atingiram 15,8 mil milhões de dólares, o equivalente a 7,7 meses de importações.
Contudo, 2025 apresenta desafios mais severos. O FMI prevê uma deterioração das contas públicas, com o défice fiscal a aumentar para 2,8% do PIB, reflexo da queda das receitas do petróleo e de maiores encargos financeiros.
O organismo internacional conclui que Angola deve acelerar reformas estruturais, reforçar a governação e melhorar o ambiente de negócios, de forma a diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo.