Angola: FMI apoia desenvolvimento de capacidades de previsão macroeconómica

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está a apoiar Angola no desenvolvimento de um novo quadro macroeconómico destinado a reforçar a capacidade de previsão e análise das políticas económicas do país. A iniciativa envolve a Direcção Nacional de Estudos Económicos e Estatística (DNESE), estrutura ligada ao Ministério do Planeamento, que será responsável pela implementação do projecto de assistência técnica.

Segundo o relatório de assistência técnica, a DNESE dispõe actualmente de duas áreas principais de atuação: o Departamento de Política e Gestão Macroeconómica e um departamento ligado à demografia. O organismo conta com uma equipa técnica de sete especialistas dedicados às projecções macroeconómicas, que deverá liderar a adaptação do novo instrumento de previsão económica às necessidades da economia angolana.

O FMI considera que o atual sistema de projeções macroeconómicas utilizado pela DNESE apresenta limitações, uma vez que se assenta sobretudo em modelos de regressão isolados e ferramentas pouco integradas. A instituição defende a criação de um quadro macroeconómico unificado que permita produzir previsões mais coerentes, desenvolver planos alternativos de risco e apoiar de forma mais eficaz a formulação de políticas públicas.

O projecto prevê uma forte articulação entre o Ministério do Planeamento, o Ministério das Finanças, o Banco Nacional de Angola e o Instituto Nacional de Estatística de Angola, através de um grupo de trabalho técnico interinstitucional. O Ministério das Finanças já começou a publicar o Quadro Fiscal do Médio Prazo desde 2024, enquanto o Banco Nacional de Angola apresenta instrumentos avançados de previsão económica e análise conjuntural.

No âmbito da assistência técnica, será implementado o chamado Instrumento de Fundações do Quadro Macroeconómico (MFT), um modelo desenvolvido pelo FMI que incorpora relações económicas e comportamentais entre diferentes sectores da economia. O objectivo é permitir à DNESE elaborar previsões de base mais consistentes e avaliar resultados de políticas económicas e cenários de risco.

O projecto decorrerá até ao final de 2026 e será dividido em três fases, incluindo formação intensiva da equipa técnica, personalização do modelo à realidade angolana e utilização autónoma da ferramenta para análise de políticas macroeconómicas e fiscais. O FMI acredita que o reforço das capacidades técnicas nacionais poderá melhorar o reforço institucional e apoiar o processo de planeamento económico de médio prazo em Angola.

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