O gestor português Mário Leite da Silva, que foi durante muitos anos o principal colaborador de Isabel dos Santos nos seus negócios, divulgou, no início da semana, um comunicado em que acusa as autoridades angolanas de “discriminação e rudes ilegalidades”, por estarem a dificultar-lhe a vida enquanto arguido de um processo-crime. Em causa está o desvio de 131 milhões de dólares da petrolífera estatal Sonangol para o Dubai entre 2016 e 2017, quando Isabel dos Santos, também acusada, esteve à frente daquela empresa.
No entendimento do gestor, Angola está a boicotar as iniciativas desencadeadas por Mário Leite Silva destinadas a que o seu processo seja transferido para Portugal, onde quer ser julgado. Mário Leite da Silva refere as várias tentativas de entregar o requerimento, designadamente na Procuradoria-Geral da República, em Luanda, e, posteriormente, no Consulado-Geral em Lisboa, Portugal. De seguida, Mário Leite da Silva tentou, por duas vezes, fazê-lo no Consulado de Angola, no Porto.
As “dificuldades inauditas” deste processo levam o gestor a apelar à justiça angolana e portuguesa. “Espero que as autoridades judiciárias angolanas, e entre todas elas, o procurador-geral da República, façam respeitar a lei, sem o que Angola se expõe à imagem de um país que não se pauta pelas regras de um Estado de Direito”. E espera que “a justiça portuguesa que, depois de arrestar as minhas contas bancárias por ordem de Angola, no âmbito deste mesmo processo, me encaminhou sistematicamente para Angola em relação a tudo quanto tentei requerer, perceba o beco sem saída em que se encontra um cidadão português, há vários anos à mercê da mais rude ilegalidade”.