Brasil: Enchentes e sismos assustam população brasileira

O Serviço Geológico do Brasil, entidade ligada ao Ministério de Minas e Energia do Governo Federal brasileiro, informou que uma série de três sismos foi registada no município de Sete Lagoas, em Minas Gerais, nas últimas 24 horas.

Um sismo, de magnitude 2.8 mR, ocorreu na madrugada desta terça-feira (16). Em seguida, às 4h41, ocorreu outro evento, de magnitude 2.5 mR. E, pela manhã, por volta das 8h40, foi registado um novo evento, de magnitude 2.0 mR. Estes serviços acreditam que “é possível que tenham ocorrido outros tremores, de magnitudes mais baixas e não registados pelos sensores da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR)”.

Os eventos sísmicos, registados pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), foram analisados, tanto pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) como pelo Observatório Sismológico da UnB (OBSIS).

Na noite de domingo (14), já havia sido registado um tremor de 2.3 mR na região. Há relatos de que esses eventos foram sentidos pela população local, segundo o governo brasileiro.

Segundo o geofísico do SGB, Luiz Gustavo Rodrigues Pinto, “Minas Gerais é um dos estados brasileiros com maior atividade sísmica registada, apesar de geralmente serem de baixa magnitude”. “Estes sismos, quando ocorrem em regiões densamente urbanizadas, podem ser sentidos pela população e causar desconforto”, frisou este responsável, que explicou que, “na região de Sete Lagoas (MG), o primeiro sismo foi registado em 1931, com uma magnitude de 3.5m R. A partir do ano de 2022, uma nova série de eventos sísmicos voltou a ocorrer com maior frequência na região desse município, com magnitudes variando entre 2 e 3,5 mR”.

Este especialista defende ser necessário “um estudo multidisciplinar mais detalhado para identificar o real motivo da ocorrência desses sismos, sendo necessária uma quantidade maior de estações sismográficas no entorno desse município, com o objetivo de entender o mecanismo focal causador dos eventos sísmicos”.

A estação sismológica que compõe a RSBR mais próxima de Sete Lagoas está localizada em Diamantina (MG), a cerca de 140 km de distância de Sete Lagoas.

Luiz Gustavo disse também que, “independentemente da causa de tais sismos, é fundamental que a população fique atenta e sempre pratique as ações de proteção necessárias, quando sentir um tremor de terra, como afastar-se de janelas ou locais de onde possam cair objetos, sair das residências de forma tranquila e procurar locais seguros, caso não consigam sair da casa, procurar locais dentro da mesma, que possam oferecer algum tipo de segurança, como sob batentes de portas ou sob mesas ou algum outro tipo de móvel que ofereça proteção no caso de alguma queda de objetos”.

Já o professor George Sand, da USP, onde está localizado o Centro de Sismologia, que faz parte da RSBR, explicou que tremores de magnitude abaixo de 3.0, na maioria dos casos, não são sentidos pela população.

“No caso de Sete Lagoas, pelo facto de ter acontecido dentro da cidade, esse tremor é sentido como vibrações. Pelos parâmetros, esses tremores têm origem natural e, pelas baixas magnitudes, não causam danos significativos”, informou.

Segundo apurámos, os tremores em Sete Lagoas são recorrentes e assustam os moradores. Na madrugada de 28 de dezembro de 2022, um tremor de magnitude 2,8 foi sentido na cidade. De acordo com informações do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), o abalo foi o terceiro maior já registado no município.

Em 29 de abril do ano passado, Sete Lagoas teve um tremor de 3.0, o de maior magnitude até então. Em 28 de julho, outro abalo foi registado, dessa vez o segundo maior, com magnitude de 2.9.

Chuvas causam estragos no Rio de Janeiro

O Governo do Estado do Rio de Janeiro decidiu desenvolver, em conjunto com as prefeituras da Região Metropolitana e o Governo Federal brasileiro, um plano de ação para atender as demandas das cidades afetadas pelas chuvas do último fim de semana. O anúncio foi feito pelo governador Cláudio Castro, que se reuniu nesta terça-feira (16/01), no Palácio Guanabara, com ministros e prefeitos para agilizar a recuperação dos municípios.

Na reunião, o governador Cláudio Castro determinou que órgãos e secretarias estaduais reúnam-se, nesta tarde, no Palácio Guanabara, com representantes do Governo Federal e técnicos das prefeituras para finalizar o planeamento de obras e projetos para a normalização das áreas que foram prejudicadas pelo temporal.

“Como eu venho afirmando, não tem chuva do município, do Estado ou do Governo Federal. O momento é de trabalharmos com muita integração para entregarmos resultados com total agilidade para os moradores de cada cidade atingida. As equipas do Governo do Estado estão em contacto permanente com os municípios, para atender rapidamente as necessidades apontadas. Quero ressaltar aqui que o Governo Federal também está nessa força-tarefa, e a presença de cada um dos ministros demonstra o apoio e atenção com o nosso Estado e a população fluminense”, declarou Castro.

Um dos pedidos do governador para o Governo Federal é a libertação de mais de R$ 730 milhões, cerca de 146 milhões de euros, do Novo PAC para o projeto de controlo de inundações e recuperação ambiental das bacias do rio Iguaçu-Botas e do rio Sarapuí. A ação foi solicitada pelo Estado do Rio, em novembro de 2023, junto ao programa. Os trabalhos serão coordenados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). No total, o Estado do Rio inscreveu 84 ações de prevenção a desastres naturais, totalizando R$ 6,9 mil milhões, cerca de um bilhão e 300 milhões de euros, de investimentos em drenagem urbana, contenção de encostas e urbanização de comunidades.

Ainda durante o encontro, Castro destacou a integração de diferentes esferas de governo, consolidando uma grande força-tarefa para socorrer os municípios e cidadãos fluminenses. O governador citou ainda a atuação dos órgãos estaduais em diversas frentes, inclusive humanitária. Já foram distribuídas mais de dez mil refeições, 1,7 mil unidades de garrafas e copos de água, 2.547 fardos de água, 2,5 mil cestas básicas, 600 colchões, 2,2 mil insumos, entre kits de higiene pessoal e limpeza e 150 kits de enxoval, com almofadas e cobertor. Para a limpeza e desobstrução das vias, canais e rios, foram enviadas mais de 100 máquinas, como camiões e retroescavadoras, para municípios.

Informações atualizadas pelo governo do Rio indicam 12 mortos vítimas da chuva que atingiu o estado do Rio de Janeiro neste fim de semana. Ao menos duas pessoas estão desaparecidas e há 600 desalojados. Vários municípios estão isolados e necessitam de intervenção federal.

Especialistas indicam que as chuvas do último fim de semana eram esperadas no Rio, sobretudo em virtude da época de verão, e que é preciso que a população esteja atenta aos informes das autoridades.

Ígor Lopes

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

Moçambique: Reino Unido apoia INGD com quatro embarcações para reforço das operações de emergência

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do...

0

Cabo Verde: Eleições legislativas oficializadas para 17 de maio

A data das eleições legislativas cabo-verdianas foi oficializada...

0

Angola reafirma compromisso com o Fórum de Macau

A embaixadora de Angola na China, Dalva Ringote...

0