Um novo estudo do Banco Mundial aponta que o Nordeste do Brasil — onde 80% da população está em idade ativa — pode acelerar o crescimento económico ao investir na qualificação profissional, melhorar o ambiente de negócios e ampliar a infraestrutura.
Com 54 milhões de habitantes, a região é uma das mais jovens do país, mas enfrenta taxas de desemprego e informalidade superiores à média nacional. O relatório recomenda a expansão de programas de capacitação e políticas específicas para mulheres e grupos marginalizados, cuja participação no mercado de trabalho permanece baixa.
Segundo a economista Karen Muramatsu, a produtividade agrícola avançou, mas é essencial fortalecer os setores urbano-industriais, como manufatura e serviços, que empregam a maior parte da população. O estudo destaca ainda entraves ao dinamismo empresarial: a abertura de empresas leva, em média, 15 dias — mais do que em outras regiões — e poucas pequenas empresas crescem.
Na infraestrutura, o Banco Mundial identifica um potencial estratégico: o Nordeste lidera a produção nacional de energia eólica e solar, criando condições favoráveis para a indústria de hidrogénio verde. Para atingir metas básicas de desenvolvimento até 2030, porém, serão necessários cerca de 102 mil milhões de dólares em investimentos, o equivalente a 47% do PIB regional, mobilizando maior participação do setor privado em parceria com o setor público.