Brasil: 6.º Flitabira bate recorde de público e reúne 40 mil pessoas em Itabira

Foto: divulgação

O 6.º Flitabira, Festival Literário Internacional de Itabira, encerrou no domingo, 1 de novembro, com um balanço de 40 mil participantes ao longo de quatro dias, um crescimento de 33,3% relativamente a 2025. Realizado no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e nos espaços envolventes, em Itabira, no estado brasileiro de Minas Gerais, o encontro registou ainda a venda de mais de três mil livros, o melhor resultado comercial desde a criação do festival, em 2021.

Sob o tema “A Máquina do Mundo em Nós”, a sexta edição assinalou os 75 anos da publicação de “Claro Enigma”, obra de Carlos Drummond de Andrade, natural de Itabira. A programação reuniu nomes como Conceição Evaristo, Leda Maria Martins, Maria Mazzarello, Pedro Bial, Geraldo Carneiro, José Miguel Wisnik, Sérgio Abranches, Carla Akotirene, Rita Von Hunty e Fabrício Carpinejar, entre outros participantes. Os encontros abordaram temas relacionados com a literatura, o racismo, a democracia, os direitos humanos, a ancestralidade e as transformações sociais.

Um dos momentos da programação ocorreu a 31 de outubro, data em que se assinalaram os 124 anos do nascimento de Drummond. José Miguel Wisnik e o músico Kristoff Silva apresentaram a aula-espetáculo “A Máquina do Mundo em Nós”, relacionando a poesia do escritor com a história de Itabira e a exploração mineral. No mesmo contexto, Pedro Bial, que participou à distância por recomendação médica, e Geraldo Carneiro debateram “Claro Enigma”, numa conversa moderada por Afonso Borges.

A homenagem a Conceição Evaristo, Leda Maria Martins e Maria Mazzarello constituiu outro eixo da edição. Na mesa “Leitura, Antirracismo e os Novos Tempos”, as três participantes recordaram os seus percursos e a importância da publicação e circulação da literatura negra brasileira. O encontro destacou também o papel da Mazza Edições, fundada por Maria Mazzarello em 1981, na divulgação de autores negros, incluindo obras de Conceição Evaristo.

A programação incluiu ainda uma homenagem a Dona Rosinha, Dona Tita e Dona Joana Zeferina, lideranças quilombolas ligadas à memória cultural de Itabira. A exposição “Correspondências: memória, imagem e presença”, do projeto Memorial Vale Itinerante, apresentou fotografias, intervenções artísticas e narrativas relacionadas com a presença negra na formação de Poços de Caldas.

A educação teve participação no festival através do Prémio de Redação e Desenho, que mobilizou 45 escolas, correspondentes a quase 90% da rede escolar de Itabira. Foram inscritos 60 textos e 51 desenhos, incluindo trabalhos de estudantes da Educação de Jovens e Adultos. O Ministério da Educação brasileiro apresentou também a plataforma MEC Livros, biblioteca digital gratuita com um acervo anunciado de mais de 25 mil títulos.

Entre as atividades artísticas esteve a pré-estreia de “Claro Enigma”, do Grupo de Dança Primeiro Ato, com direção de Suely Machado e idealização de Pedro Drummond. O espetáculo integrou a Língua Brasileira de Sinais (Libras) na construção coreográfica, associando a interpretação dos poemas à expressão corporal.

A Livraria do Flitabira disponibilizou um acervo anunciado de 12 mil exemplares, distribuídos por 2.300 títulos, numa área de aproximadamente 280 metros quadrados. A Central de Autógrafos permitiu a participação de escritores convidados, independentes e locais, enquanto o espaço Flitabira da Gente reuniu artesãos, empreendedores e produtores gastronómicos da região.

No ambiente digital, o balanço divulgado pela organização aponta para 2,8 milhões de visualizações entre 3 de outubro e 1 de novembro, além de 4.200 novos seguidores e 218 conteúdos partilhados. As atividades foram gratuitas, com transmissões através do YouTube, onde permanece disponível o registo audiovisual da programação.

Promovido com apresentação da Vale, através da Lei Rouanet do Ministério da Cultura do Brasil, o festival contou com o apoio da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e do Itaú. Desde a primeira edição, em 2021, o público anual passou de aproximadamente 10 mil para 40 mil pessoas, segundo os números divulgados pela organização, que contabiliza cerca de 145 mil participações presenciais ao longo das seis edições.

O balanço de 2026 coloca a obra de Carlos Drummond de Andrade no centro de uma programação que cruzou literatura, educação, memória e debates sobre a sociedade brasileira. A organização anunciou já uma próxima edição para outubro de 2027, ano em que se assinalam quatro décadas da morte do poeta.

Ígor Lopes

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