Duas centenas de anos depois de terem desaparecido da Mata Atlântica fluminense, as araras-canindés voltaram a sobrevoar o Rio de Janeiro. Três exemplares da espécie Ara ararauna foram libertados no Parque Nacional da Tijuca no passado dia 7 de janeiro, no âmbito de um projecto de reintrodução que visa a restauração ecológica de um dos mais emblemáticos ecossistemas urbanos do mundo.
As aves, baptizadas de Fernanda, Fátima e Sueli, chegaram ao parque em junho de 2025 e passaram por um rigoroso processo de aclimatação, que incluiu treino de voo, adaptação alimentar aos frutos nativos da floresta e monitorização sanitária permanente. A iniciativa é liderada pela organização Refauna, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e procura devolver à Mata Atlântica uma espécie fundamental para a dispersão de sementes e o equilíbrio do ecossistema.
Segundo os responsáveis pelo projecto, a libertação das araras marca apenas o início de um processo mais amplo de refaunação. As aves estão equipadas com anilhas, microchips e colares de identificação e serão acompanhadas através de monitorização científica e de Ciência Cidadã, permitindo que moradores e visitantes comuniquem avistamentos através de plataformas digitais. Esta abordagem alarga a recolha de dados e reforça o envolvimento da sociedade na conservação da biodiversidade.
A expectativa é que, ainda em 2026, novas araras-canindés sejam introduzidas no Parque Nacional da Tijuca, incluindo um quarto exemplar que permanece em observação e outros casais em fase de avaliação sanitária. O objectivo do projecto é reintroduzir cerca de 50 araras ao longo de cinco anos, contribuindo para a recuperação dos processos ecológicos da Mata Atlântica e simbolizando um passo significativo na luta contra a perda de fauna no Brasil.