Brasil: Desfiles de Carnaval da Marquês de Sapucaí são agora património imaterial

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, quinta-feira, dia 27 de novembro, o Projeto de Lei 5.219/25, da autoria do deputado Vinicius Cozzolino (União), que reconhece os desfiles de Carnaval das escolas de samba, na Marquês de Sapucaí, como Património Imaterial Histórico, Cultural, Artístico e Humanístico do Estado do Rio.

Cozzolino destacou que o evento é uma das mais expressivas manifestações culturais do Brasil e do mundo, representando não apenas um espetáculo artístico de proporções monumentais, mas também um símbolo da identidade fluminense e da criatividade popular.

“Mais do que uma festa, o desfile é expressão da resistência e da valorização da cultura afro-brasileira, da periferia urbana e da ancestralidade de povos que ajudaram a construir a nação”, afirmou o parlamentar, acrescentando que “as escolas de samba exercem papel educativo e social em suas comunidades, atuando durante todo o ano como centros de formação cultural e de inclusão social”.

Cozzolino referiu também que esta declaração como património imaterial no Estado do Rio de Janeiro poderá abrir caminho para que os desfiles sejam reconhecidos internacionalmente, havendo atualmente um esforço da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) para tornar o evento Património da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

“Esse reconhecimento nasceu de uma ida ao escritório da Unesco em Nova Iorque, em maio, quando representei a Frente Parlamentar da Juventude da Alerj no Fórum da Juventude do Conselho Económico e Social (ECOSOC). A Liesa pretendia o reconhecimento dos desfiles como Património da Humanidade, mas, para isso, as instâncias internas precisam reconhecer suas manifestações culturais”, explicou o deputado.

Realizado no Sambódromo da Marquês de Sapucaí – projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e utilizado desde 1984 -, o Carnaval do Rio de Janeiro e os desfiles das escolas de samba são responsáveis pela geração de milhares de empregos diretos e indiretos.

Cozzolino referiu ainda que o desfile movimenta significativamente a economia do Estado do Rio de Janeiro, em particular os setores do turismo, da hotelaria, do comércio e dos serviços.

Estima-se que o impacto económico do Carnaval ultrapasse os R$ 4 bilhões anualmente (mais de 600 milhões de euros), consolidando-se como uma das principais fontes de receita e desenvolvimento urbano da capital fluminense.

Ígor Lopes

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