Foto: Ricardo Stuckert/PR
Durante viagem oficial ao Japão, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu que “a relação entre Brasil e Japão mudou de patamar”. O Presidente assinou ainda dez acordos e 80 instrumentos de cooperação entre as duas nações, após uma série de agendas do presidente e da sua comitiva no país asiático.
Lula reuniu com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, em Tóquio, tendo os dois chefes de Estado acordado encontros a cada dois anos, a partir de agora.
“Assinamos dez acordos com o governo japonês. Outros 80 instrumentos de cooperação foram firmados por entidades subnacionais, universidades, institutos de pesquisa e empresas. Concordamos que o comércio bilateral de 11 mil milhões de dólares não corresponde ao tamanho das nossas economias. A nossa meta é superar os 17 mil milhões de dólares registados em 2011. O fórum empresarial realizado ampliou horizontes para a cooperação com o setor privado e decidimos realizar encontros periódicos a cada dois anos, refletindo o grau de ambição do relacionamento Brasil-Japão”, afirmou Lula.
Por sua vez, o primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, deixou clara a intenção do seu país em fortalecer as relações comerciais com o Mercosul e de atuar de forma forte e estreita em temas ligados ao meio ambiente e ao combate à mudança do clima. O líder japonês ressaltou intenção de incrementar o uso de biocombustíveis que acelerem a descarbonização no setor automotivo, de cooperar para recuperar terras degradadas no Brasil e de trabalhar em prol do acesso da carne bovina brasileira ao mercado japonês.
“A relação económica, comercial e de investimentos entre Japão e Brasil possui um grande potencial. Até hoje, os dois países têm construído um relacionamento benéfico com base na complementaridade mútua. Quero celebrar a visita da Missão Económica Brasileira com mais de 100 integrantes e o anúncio de aproximadamente 80 projetos de cooperação em nível público e privado com o Japão. Hoje, os dois países se tornaram parceiros globais e estratégicos, que compartilham valores e princípios e trabalham juntos no cenário Internacional”, declarou Ishiba.
Lula recordou o acordo fechado entre a ANA (All Nippon Airways), maior companhia aérea japonesa, e a Embraer, que resultou na compra de15 jatos brasileiros, com a possibilidade de aquisição de outros cinco, num negócio com cifras da ordem de R$ 10 mil milhões, cerca de 1,6 mil milhões de euros, além de destacar o papel que o Mercosul pode assumir nas relações comerciais com o país asiático.
“Espero lançar negociações de um acordo com o Japão durante a presidência brasileira do Mercosul no próximo semestre. A compra de aeronaves da Embraer por empresas japonesas demonstra a capacidade da nossa indústria. A recente decisão de incrementar o uso de biocombustíveis no transporte e na aviação no Japão abre espaço para trabalhar juntos pela transição energética. A descarbonização é um caminho sem volta e é perfeitamente compatível com o objetivo de segurança energética”, frisou Lula.
Segundo o governo brasileiro, o país conta com a maior população nipodescendente fora do Japão, estimada em mais de dois milhões de pessoas, e o Japão abriga a quinta maior comunidade brasileira no exterior, com 210 mil nacionais. Em 2025, comemoram-se os 130 anos das relações diplomáticas Brasil–Japão. Ano passado, Brasil e Japão registaram intercâmbio comercial de US$ 11 mil milhões, com superávit brasileiro de US$ 146,8 milhões. O Brasil exporta principalmente carne de aves (frescas ou congeladas), alumínio, carne suína, celulose, café e minério de ferro. Já as importações são compostas por partes e acessórios de veículos, instrumentos e aparelhos de medição, motores de pistão e demais produtos da indústria de transformação.
Ígor Lopes