Cidadãos de diversas nacionalidades, como Cuba, Colômbia e Argentina, serão abrangidos pelo projeto “Oportunidades: integração socioeconómica de migrantes no Brasil”, promovido pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC).
Inicialmente realizado em Roraima, com foco em migrantes venezuelanos, a expansão desta iniciativa conta com um programa de capacitação empreendedora para refugiados e migrantes no Brasil, na Semana Nacional do Migrante e do Refugiado, que se celebra de 19 a 23 de junho.
Desde dezembro de 2019, o projeto, que já beneficiou mais de 37 mil pessoas diretamente, visa “proporcionar acesso a meios de subsistência sustentáveis e oportunidades de emprego, apoiando a Estratégia de Interiorização da Operação Acolhida, uma resposta humanitária do Governo do Brasil ao fluxo de migrantes venezuelanos”.
A Fundação Dom Cabral oferece, através da plataforma online Pra>Frente Play, cursos de gestão e empreendedorismo para nano e microempreendedoras. Desde 2023, o conteúdo do portal foi traduzido para espanhol em parceria com a OIM, facilitando o acesso dos hispano-falantes. A plataforma utiliza vídeos, podcasts e e-books para proporcionar uma jornada de aprendizado individualizado, com séries como “Turbine o seu negócio”, “Vender mais e melhor”, “Superando desafios” e “A sua caixa sob controlo”.
Na primeira fase, o curso atendeu 97 pessoas, principalmente indígenas venezuelanos das etnias Warao, Kariña, Pemón e Eñepa, em Boa Vista (RR). As aulas ocorreram no espaço da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), com o apoio de monitores da OIM.
A próxima etapa do projeto vai atender migrantes e refugiados em Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE) e Conde (PB).
Ana Carolina de Almeida, vice-presidente de Educação Social da FDC, ressaltou a importância do projeto para o desenvolvimento profissional e pessoal dos participantes, fortalecendo também a economia brasileira. “É uma alegria ampliar este projeto com a OIM e atender mais migrantes em outras localidades brasileiras”, afirmou.
Alejandrina, de 72 anos, participante no curso, destacou a relevância da capacitação. “Como indígena que chegou ao Brasil, este curso é importante porque nos coloca em contacto com a comunidade local. Assim, sabemos como vender e gerar recursos, permitindo que os nossos talentos tenham espaço aqui”, disse.
Stéphane Rostiaux, Chefe de Missão da OIM, enfatizou a relevância da parceria com a Fundação Dom Cabral na ampliação das atividades de integração económica em todo o país. “As capacitações vão apoiar os venezuelanos e outros migrantes a desenvolverem o seu potencial e a contribuir para o desenvolvimento das comunidades de acolhimento”, concluiu este responsável.
Ígor Lopes