Brasil: Exposição “Arte Tribal Africana” abre as portas no Rio de Janeiro com 100 obras raras

O Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Brasil, é palco da exposição “Arte Tribal Africana”, do escritor e colecionador Maciel de Aguiar, inaugurada dia 15 de julho. A mostra conta com 100 obras raras, criadas por civilizações do continente africano entre os séculos XVII e XX.

A curadoria da exposição oferece ao público “uma imersão nesta milenar cultura, que influencia o Brasil e o mundo” por meio das 100 peças raras que fazem parte do acervo de quase quatro mil peças do África Brasil Museu Intercontinental, localizado na cidade de São Mateus, no Espírito Santo.

O museu nasceu da orientação intelectual do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, que defendia a criação de um espaço para congregar e difundir a arte tribal africana e estudar o processo escravocrata no nosso País. Foi criado e gerido com recursos privados, após 35 anos de pesquisa, doação de colecionadores e de estudiosos.

O escritor e colecionador acredita que “compreende-se, mesmo os que possuem o mínimo de entendimento da História Universal, que a milenar África não apenas cedeu a força muscular de mulheres e homens levados de suas tribos para construir a riqueza de várias nações, mas também para uma gama de conhecimentos, tradições e culturas que compõem o extraordinário legado de um povo tolerante, inventivo e criativo”.

Também foi aberta a mostra “Contra a violência racial: Africanidades”, projeto criado por alunos de uma escola pública de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. As exposições vão até o dia 9 de agosto.

“É uma honra abrir as portas do Palácio Tiradentes para receber duas exposições tão representativas. A Alerj tem o compromisso com a cultura, aproximando a população da trajetória do Legislativo e também de exposições que fazem parte da história do Estado do Rio de Janeiro”, constatou a subdiretora de Cultura da Alerj, Fernanda Figueiredo.

O subsecretário de Turismo do Estado do Rio de Janeiro, Nilo Sérgio Félix, destacou o valor cultural para a movimentação turística no estado e a geração de empregos. Já o diretor-geral da exposição, Adriano Queiroz, ressaltou a relevância das duas exposições para a população como “primeiro passo em cumprimento da Lei de Ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira nas escolas”: a Lei 10.639/03, também mencionada pela produtora executiva da exposição, Daíses Santos, “que as atividades em sala de aula, de debates e trocas de experiências, reforçam a importância do cumprimento da Lei”.

Uma das alunas da escola, Gabriele Marinho, de 16 anos, relatou a importância do projeto para o “autorreconhecimento” da população jovem preta.

“Este é um projeto que trabalha a pauta da negritude durante todo o ano, não só no Dia da Consciência Negra. Auxilia os estudantes a reconhecer sua própria identidade. Através do Africanidades, eu pude me enxergar como uma pessoa negra”, disse.

Ígor Lopes

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