Uma comitiva da Embaixada do Japão no Brasil esteve em Goiás no final de agosto, onde se reuniu no Palácio Pedro Ludovico Teixeira com o governador Ronaldo Caiado para debater uma parceria estratégica em exploração e processamento de terras raras, como minérios essenciais para alta tecnologia e transição energética.
Ao final do encontro, o embaixador japonês, Teiji Hayashi, demonstrou otimismo com a parceria e confirmou que a interlocução será conduzida pela Embaixada do Japão em Brasília. Caiado defendeu que Goiás avance além da exportação de matéria-prima, implantando as fases de separação e refino, atualmente dominadas pela China.
“Chegamos a um entendimento para avançar na cooperação entre Goiás e o governo japonês, não apenas na exploração, mas também no processamento das terras raras”, afirmou o governador, que ressaltou ainda a agilidade do Estado no licenciamento de projetos e a criação da Autoridade Estadual de Minerais Críticos, por meio da Lei nº 23.597, que estabelece governança e cria possibilidade de fundo de pesquisa.
As reservas goianas representam cerca de 25% da disponibilidade mundial de óxidos de terras raras, com aplicações em turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias, equipamentos militares e data centers. O interesse japonês pelas reservas já havia sido manifestado durante a missão comercial ao Japão, em julho. Yuzo Yamaguchi, diretor da Mineral Resources Division, destacou que Goiás oferece “uma grande chance de nos atender em relação à demanda de terras raras e pesadas”.
A comitiva visitou a mineradora Serra Verde, em Minaçu, e a planta fabril da Aclara Resources, em Aparecida de Goiânia, além de ter participado em reuniões institucionais, aprofundando os laços económicos.
O secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, reforçou o objetivo de Goiás.
“Queremos desenvolver a separação e o refino aqui, saindo da situação atual, em que exportamos concentrado e carbonato para a China, sem realizar as etapas seguintes no estado”, disse.
As operações em Goiás incluem Minaçu, onde a Serra Verde Pesquisa e Mineração (SVPM) produz disprósio (Dy), térbio (Tb), neodímio (Nd) e praseodímio (Pr). Em Nova Roma, o processamento de argilas iónicas deve gerar cerca de 5,7 mil empregos. Em Aparecida de Goiânia, a Aclara Resources inaugurou, em abril, uma planta fabril.
Ígor Lopes