O Governo Federal brasileiro organizou uma ampla operação para rececionar o desembarque em Fortaleza, no último dia 15/03, de 127 brasileiros repatriados dos Estados Unidos. São 97 homens e 30 mulheres, entre eles nove crianças, um adolescente e um idoso. Deste total, 38 pessoas deixaram o aeroporto por conta própria, e dois foram encaminhados à Justiça. Setenta e seis pessoas seguiram para Belo Horizonte num avião da Força Aérea Brasileira (FAB).
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República do Brasil não justificou os motivos do repatriamento. O secretário Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Bruno Renato Teixeira, preferiu argumentar que a operação em Fortaleza e em Belo Horizonte foi, “uma vez no território nacional”, para garantir os “direitos humanos e constitucionais dos brasileiros”.
Outros voos de repatriados dos EUA chegaram ao Brasil nos seguintes dias: 21 de fevereiro, o Governo Federal rececionou em Fortaleza 94 brasileiros, que seguiram para Belo Horizonte. Antes disso, em 7 de fevereiro, 111 brasileiros chegaram via capital cearense e, na sequência, seguiram para a capital mineira. No dia 24 de janeiro, a aeronave da FAB, devido a problemas técnicos, aterrou em Manaus (AM) com 88 brasileiros, que depois puderam seguir para o Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte. Segundo apurámos, estes 88 brasileiros “entraram ilegalmente nos Estados Unidos”. Na ocasião, os repatriados desceram do avião algemados e com os pés acorrentados, o que levou o ministro da justiça, Ricardo Lewandowski, a declarar tal situação como um “constrangimento inaceitável”. Ressalta-se que o uso de algemas para deportados é usado há anos pela imigração americana.
As ações de receção aos cidadãos em retorno ao Brasil foram lideradas pelo Governo Federal e organizadas pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com os ministérios da Saúde (MS); do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); Relações Exteriores (MRE); Justiça e Segurança Pública (MJSP); e da Defesa (MD), com o apoio da Polícia Federal, dos governos estaduais e das concessionárias aeroportuárias Fraport Brasil e BH Airport.
Ígor Lopes