O Brasil começa a estruturar a implantação da irradiação de alimentos. Essa tecnologia é considerada pelo setor de frutas uma alternativa para ampliar as exportações, reduzir perdas pós-colheita e atender exigências sanitárias de mercados internacionais. O tema será discutido na quarta edição do Seminário Múltiplas Aplicações da Energia Nuclear e das Radiações, marcada para 18 de novembro, no Rio de Janeiro.
Segundo a Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), o país exportou cerca de 1,2 milhão de toneladas de frutas em 2025, gerando uma receita próxima de US$ 1,5 bilhão. A entidade estima que esse valor poderia dobrar com a adoção de tecnologias como a irradiação, já utilizada em mais de 60 países.
O processo consiste em expor os alimentos a doses controladas de radiação ionizante para eliminar pragas e microrganismos, retardar o amadurecimento e prolongar a conservação, sem alterar o sabor ou o valor nutricional.
A Abrafrutas informa que a cadeia da fruticultura produz cerca de 51 milhões de toneladas por ano, ocupa aproximadamente 2,5 milhões de hectares e gera cerca de 5 milhões de empregos diretos e indiretos. Apesar de o Brasil ser o terceiro maior produtor mundial de frutas, ocupa apenas a 23ª posição entre os exportadores.
Entre as iniciativas em andamento, a NBEPar afirma o preparo, em parceria com a Amazul e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), para a implantação da atividade no país. De acordo com a empresa, o projeto inclui a formação de uma nova sociedade voltada ao setor e a obtenção das autorizações regulatórias necessárias junto aos órgãos competentes.
Ígor Lopes