O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que a economia brasileira está preparada para a redução institucional da jornada de trabalho e para o fim da escala conhecida como “6 por 1”.
Em conferência de imprensa, em Brasília, Lula defendeu que existem hoje condições objectivas — como os avanços tecnológicos, o aumento da produtividade e a lucratividade das empresas — que permitem reduzir o tempo de trabalho sem prejudicar a economia.
Apesar dessa convicção, o chefe de Estado sublinhou que não pretende avançar com uma proposta elaborada exclusivamente pelo Governo. Segundo Lula, a iniciativa deve partir do movimento sindical, recordando o seu próprio percurso como dirigente sindical e a luta histórica pela redução da jornada para 40 horas semanais.
Lula argumentou ainda que os ganhos tecnológicos das últimas décadas permitiram às empresas produzir mais com menos trabalhadores, pelo que a redução do horário laboral poderia traduzir-se em melhor qualidade de vida. Entre os benefícios, destacou mais tempo para a família, para a formação e para o descanso, reforçando que não existe, na sua opinião, um argumento sólido que impeça o país de avançar nesse sentido.
O Presidente lembrou também que o Governo federal tem vindo a reduzir gradualmente a jornada de trabalho de trabalhadores e trabalhadoras terceirizados ao serviço do Estado desde o final de 2023. Uma das medidas mais recentes ocorreu na Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), sinalizando, segundo Lula, que a redução do tempo de trabalho já está a ser testada na prática em sectores da administração pública.