Brasil: Novo recorde de mortes por dengue

Os dados do Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde avançados, esta segunda-feira, indicam que o Brasil registou, até à data, 1 116 mortes e 2 963 994 de casos de dengue, nas primeiras treze semanas do ano. O valor supera os máximos alcançados em 2023, com 1094 óbitos, e 2022, com 1 053. O país tem quase metade do território em emergência e investiga mais 1 807 mortes relacionadas com o vírus.

“Infelizmente, a gente já sabia que atingiríamos esse número de mortes muito elevado e atingiríamos o recorde de mortes em relação aos anos anteriores. A gente tem uma epidemia, a maior epidemia de termos de proporções, de número de casos e de extensão de número de municípios e estados acometidos da história do país e isso certamente se traduziu num número elevado de mortes”, disse Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, em declarações à imprensa brasileira.

“Uma das coisas que a gente sempre coloca é que as mortes por dengue são mortes sempre evitáveis. São mortes que não deveriam acontecer porque o tratamento da dengue é um tratamento que basicamente significa usar hidratação no momento certo para que as complicações não ocorram na maior parte dos casos e, infelizmente, a gente não teve uma estrutura dessa em alguns estados e municípios para evitar um número elevado de mortes. Isso se refletiu nesse número que a gente está atingindo agora”, critica ainda o especialista.

Existem quatro sorotipos diferentes do vírus, designadamente DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4, que podem causar as diferentes formas da doença. É possível contrair dengue até quatro vezes ao longo da vida, uma vez que, após a exposição ao vírus, se adquire imunidade para esse sorotipo específico.

As autoridades do Ministério da Saúde acreditam que o pico de casos de dengue já tenha sido ultrapassado, estimando que se registem, este ano, cerca de 4,2 milhões de casos.

O Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer a vacina contra a dengue pelo sistema público de saúde, embora o baixo número de doses disponíveis tenha limitado a sua administração a crianças e adolescentes.

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