O Brasil prepara-se para dar um passo decisivo no armazenamento de energia ao lançar, em abril, o seu primeiro leilão de energia para baterias em escala de rede, iniciativa que já desperta forte interesse de fabricantes chinesas, com destaque para a Huawei.
Entre 2007 e 2024, os projectos eléctricos representaram 45% dos investimentos chineses no Brasil, somando cerca de 35 mil milhões de dólares, segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China. Especialistas apontam que as empresas chinesas partem em vantagem devido à sua liderança tecnológica na produção de baterias e à experiência na integração de sistemas de armazenamento energético.
Além da Huawei, outras companhias chinesas com presença no mercado brasileiro manifestaram interesse em participar do leilão, entre elas a State Power Investment, a China Energy Engineering e a China Three Gorges. A Huawei deverá actuar sobretudo como fornecedora de equipamentos, procurando estabelecer parcerias locais para viabilizar a participação no certame.
A empresa sublinha que o sucesso do projecto não passa apenas pela importação de baterias da China, mas pela integração dos sistemas no território brasileiro, envolvendo actores locais como integradores e fornecedores.
O reforço da cooperação sino-brasileira no sector energético tem sido activamente promovido pelo ministro das Minas e Energia do Brasil, Alexandre Silveira, que recentemente esteve na China para encontros com a Huawei, a CATL e outras empresas do sector, com o objectivo de atrair investimento e tecnologia para a transição energética do país.