Brasil retoma ProÁfrica e reforça cooperação científica com países africanos

O Governo do Brasil relançou o Programa de Cooperação Afro-Brasileira em Ciência e Tecnologia, ProÁfrica, com um investimento de R$ 25 milhões, cerca de cinco milhões de euros, destinados ao fortalecimento da cooperação científica entre instituições brasileiras e africanas. O anúncio foi feito nos últimos dias durante a abertura do Seminário Brasil-África 2026, realizado no Palácio Itamaraty, em Brasília.

A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq, e representa a retoma do programa após mais de uma década sem novos editais públicos. Criado em 2005, o ProÁfrica esteve ativo até 2011 e volta agora a integrar a estratégia brasileira de reforço das relações com o continente africano no domínio da ciência, tecnologia e inovação.

Durante a sessão de abertura, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que o programa pretende consolidar a cooperação Sul-Sul como ferramenta de desenvolvimento conjunto.

“Reafirmamos, por meio do ProÁfrica, que a ciência não deve ser apenas um exercício intelectual, mas um instrumento de transformação social, econômica e ambiental, que responde às necessidades dos nossos povos”, declarou a ministra, que destacou ainda que a retoma do programa foi possível devido ao reforço do financiamento público destinado ao setor científico brasileiro.

“Quero ressaltar a relevância da decisão do presidente Lula de descontingenciar integralmente os recursos da principal fonte de financiamento da ciência, tecnologia e inovação brasileira, que permite que tenhamos também ações internacionais estratégicas”, acrescentou.

A nova chamada pública irá apoiar projetos desenvolvidos em parceria entre universidades, centros de investigação e instituições científicas do Brasil e de países africanos. Entre os principais objetivos estão a criação de redes temáticas de investigação, a mobilidade académica e científica, a formação de recursos humanos e o desenvolvimento de tecnologias aplicadas às necessidades dos dois territórios.

Os projetos serão organizados em seis áreas estratégicas: meio ambiente e sustentabilidade, alimentação e agricultura, energia e recursos naturais, saúde, tecnologias emergentes como inteligência artificial e biotecnologia, além das ciências humanas e do património cultural. O programa integra também a política externa brasileira de fortalecimento do multilateralismo e da cooperação com os países do Sul Global.

No decorrer do seminário, o Governo brasileiro voltou igualmente a sublinhar a importância das parcerias no espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e dos BRICS, numa estratégia que procura ampliar a articulação científica e tecnológica entre economias emergentes.

O Seminário Brasil-África 2026 reuniu representantes do Governo brasileiro, embaixadores africanos, investigadores, reitores universitários e especialistas dos dois continentes, numa agenda centrada no aprofundamento das relações bilaterais e no desenvolvimento de novas plataformas de cooperação internacional nas áreas da ciência, tecnologia e inovação.

Ígor Lopes

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