O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou, na quarta-feira (7), em Brasília, contrato de US$ 320 milhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), do BRICS, para construir o primeiro hospital público inteligente do país. A unidade, chamada Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), será integrada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e compõe a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Além do financiamento do Banco do BRICS, o projeto receberá verbas do governo federal e do governo do Estado de São Paulo. A aprovação foi concluída em seis meses pela Comissão de Financiamentos Externos (COFIEX) do Ministério do Planejamento, prazo quatro vezes menor que a média.
O ITMI terá 800 leitos, sendo 350 de UTI, 250 de emergência e 200 de enfermaria, além de 25 salas cirúrgicas. A capacidade anual estimada é de 190 mil internações e 27 mil cirurgias. O hospital empregará inteligência artificial, telemedicina e conectividade 5G para atendimentos de urgência e emergência. As obras devem começar em 2026, com inauguração prevista para 2029.
“Precisamos garantir que o povo mais humilde não seja invisível”, afirmou Lula durante a cerimónia de assinatura, que contou com a presença da presidente do NDB, Dilma Rousseff, e do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
A rede será implementada em três eixos. O primeiro prevê 14 UTIs inteligentes dedicadas à cardiologia e à neurologia, em hospitais públicos de 13 estados: Manaus, Belém, Salvador, Teresina, Fortaleza, Recife, Dourados, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.
As unidades devem entrar em operação no primeiro semestre de 2026, funcionando de forma interligada com monitoramento contínuo de pacientes, apoio à decisão clínica e troca de informações entre equipes médicas de diferentes regiões. A supervisão será feita pela equipa do Hospital das Clínicas da USP.
O segundo eixo é o próprio ITMI, que servirá como modelo nacional de assistência digital para o Brasil e os países do BRICS. Segundo a professora da Faculdade de Medicina da USP, Ludhmila Abrahão Hajjar, o instituto deve reduzir em até cinco vezes o tempo de espera por atendimento especializado em urgências e emergências. O hospital também terá um centro de pesquisa em medicina de precisão e ciência de dados.
O ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, destacou que o ITMI terá agendamento automatizado por inteligência artificial, triagem de pacientes orientada por algoritmos e ambulâncias com tecnologia 5G para monitoramento em tempo real de sinais vitais.
O terceiro eixo prevê a modernização de hospitais estratégicos do SUS, incluindo o novo hospital da Unifesp em São Paulo, seis hospitais federais no Rio de Janeiro, o Instituto do Cérebro, um hospital oncológico na Baixada Fluminense e uma unidade do Grupo Hospitalar Conceição no Rio Grande do Sul.
Ígor Lopes