Brasil vai à segunda volta das presidenciais com Lula e Flávio Bolsonaro separados por “margens reduzidas” nas sondagens

O Brasil prepara-se para a segunda volta das eleições presidenciais, marcada para domingo, 25 de outubro, num confronto entre o atual Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL). A votação acontece depois de uma primeira volta em que nenhum dos candidatos conseguiu ultrapassar metade dos votos válidos, prolongando a decisão sobre a Presidência para uma nova votação.

Um dos acontecimentos que marcaram a reta final da campanha foi o entendimento alcançado entre representantes de Lula e Flávio Bolsonaro sobre a abertura dos sigilos bancários, fiscais e telefónicos de ambos os candidatos. O acordo, anunciado a 22 de outubro, surgiu após divergências sobre o alcance das informações que seriam disponibilizadas. A iniciativa procura estabelecer condições para o acesso a dados dos dois concorrentes, num contexto de acusações e questionamentos entre as campanhas.

A campanha inclui ainda confrontos televisivos e ações de mobilização eleitoral. Depois do debate promovido pela Band, a 18 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro têm previsto um novo encontro na TV Globo, na sexta-feira, 23 de outubro, dois dias antes da votação.

De acordo com os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro terminou a primeira volta, realizada a 4 de outubro, com 47,03% dos votos válidos, correspondentes a 56.104.268 votos. Lula obteve 45,16%, com cerca de 53,9 milhões de votos. A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos, num processo eleitoral em que ambos concentraram a maior parte dos votos válidos.

O confronto coloca frente a frente duas candidaturas com percursos políticos distintos. Lula, de 80 anos, procura a reeleição após ter regressado à Presidência em janeiro de 2023. Flávio Bolsonaro, de 45 anos, senador pelo Rio de Janeiro e filho do antigo Presidente Jair Bolsonaro, disputa pela primeira vez a chefia do Estado brasileiro. Geraldo Alckmin, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), integra a candidatura de Lula como vice-presidente, enquanto o deputado federal Alfredo Gaspar acompanha Flávio Bolsonaro na mesma função.

A campanha tem sido acompanhada por sucessivas sondagens, com resultados que variam entre os institutos e apresentam, em vários casos, diferenças dentro das respetivas margens de erro. Um levantamento da Quaest, divulgado a 21 de outubro, atribuiu 45% das intenções de voto a Flávio Bolsonaro e 44% a Lula, considerando o total de eleitores inquiridos. A pesquisa ouviu 2.154 pessoas entre 17 e 20 de outubro, com uma margem de erro de dois pontos percentuais e um nível de confiança de 95%.

Já o levantamento PoderData/Aya, divulgado a 22 de outubro, apresentou Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%. Quando considerados os votos totais, os resultados foram de 49% para Flávio e 48% para Lula, também num cenário de empate técnico. A pesquisa ouviu quatro mil eleitores, entre 19 e 21 de outubro, com uma margem de erro de 1,6 pontos percentuais.

Outro estudo, realizado pelo instituto Gerp e divulgado a 21 de outubro, apresentou 53% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 47% para Lula. O levantamento entrevistou 2.400 eleitores entre 19 e 21 de outubro, com uma margem de erro de dois pontos percentuais. Os diferentes resultados mostram a importância de considerar a metodologia, o período de recolha e a margem de erro de cada sondagem.

Para além da Presidência da República, a votação de 25 de outubro decidirá também os governos de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, onde nenhum candidato conseguiu reunir a maioria necessária na primeira volta. Estão em disputa os governos do Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Tocantins e Distrito Federal.

Ígor Lopes

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