Canadá junta-se à “Coligação Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo” liderada pelo Brasil

Shalene Curtis-Micallef (esq.), vice-ministra da Saúde do Canadá, e Marjorie Michel, ministra da Saúde do Canadá, formalizaram adesão do Canadá à Coligação Global junto de Alexandre Padilha, ministro da Saúde do Brasil e presidente da Coligação Global, e de Mario Moreira (dir.), secretário executivo da iniciativa. Foto: divulgação/Rafael Nascimento

Iniciativa internacional procura reforçar a cooperação global no acesso a vacinas, terapêuticas, inovação biomédica e tecnologias de saúde, atuando sobretudo junto de populações mais vulneráveis e de doenças negligenciadas

O Canadá manifestou oficialmente, no passado dia 19 de maio, o interesse em aderir à “Coligação Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo”, uma iniciativa internacional liderada pelo Brasil e dedicada ao reforço da capacidade mundial de produção e acesso a tecnologias de saúde.

A adesão canadiana foi formalizada à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde, que decorreu na semana passada em Genebra, na Suíça, através de uma carta enviada pelas autoridades de saúde canadianas, encabeçadas pela ministra da Saúde do Canadá, Marjorie Michel, pela vice-ministra da Saúde do Canadá, Shalene Curtis-Micallef, e pela presidente da Agência de Saúde Pública do Canadá, Nancy Hamzawi, ao ministro da Saúde do Brasil e presidente da Coligação Global, Alexandre Padilha, e ao presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e secretário executivo da iniciativa, Mario Moreira.

No documento, o Canadá reafirma o seu compromisso com a cooperação internacional destinada a ampliar o acesso a vacinas, diagnósticos, terapêuticas e outras tecnologias de saúde, sobretudo junto de populações vulneráveis e doenças negligenciadas.

Segundo os responsáveis da coligação, a entrada do Canadá reforça o peso político e técnico da estrutura internacional, tendo em conta a capacidade reconhecida do país na investigação biomédica, inovação, regulamentação sanitária e produção biofarmacêutica, especialmente após os investimentos realizados no contexto da preparação para futuras pandemias.

Quatro novas organizações internacionais passam também a integrar iniciativa

Durante um evento paralelo à Assembleia Mundial da Saúde, Alexandre Padilha anunciou igualmente a adesão de quatro organizações internacionais à coligação: a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Medicines for Malaria Venture, o Medicines Patent Pool e o South Centre.

A sessão assinalou o primeiro aniversário da criação da iniciativa e reuniu representantes governamentais, organizações internacionais, fabricantes, universidades, sociedade civil e parceiros ligados à saúde global.

Com estas novas adesões, a coligação passa a integrar 28 organizações participantes, reunindo entidades ligadas à investigação científica, inovação, financiamento, produção farmacêutica e políticas públicas de saúde.

O secretário executivo da coligação, Mario Moreira, afirmou que a iniciativa representa um passo estratégico para a soberania global em saúde, defendendo a necessidade de reduzir a dependência internacional no acesso a tecnologias médicas.

“Precisamos de ultrapassar a lógica em que alguns países apenas produzem enquanto outros permanecem dependentes das tecnologias de saúde”, afirmou o responsável.

“Esta discussão é sobre soberania, resiliência e o direito de cada país a desenvolver as suas próprias capacidades científicas, tecnológicas e produtivas”, acrescentou.

Entretanto, durante uma reunião de alto nível realizada em março deste ano, a dengue foi definida como o primeiro grande desafio prioritário da coligação.

Segundo Alexandre Padilha, a expansão global da doença, impulsionada também pelas alterações climáticas, reforça a necessidade de respostas internacionais coordenadas no combate às arboviroses.

“A dengue, que historicamente afetava os países tropicais, está hoje presente em mais de 100 países e em todos os continentes. As alterações climáticas ampliaram as condições para a transmissão da doença e reforçam a necessidade de integrar as arboviroses no Plano de Ação de Belém”, afirmou Padilha.

O responsável brasileiro aproveitou ainda para convidar governos, instituições de investigação, organizações internacionais e setor privado a participarem no primeiro concurso internacional de propostas da coligação, cujas candidaturas decorrem até 1 de julho e encontram-se disponíveis neste site.

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