Imagem: Otacílio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira. Foto: Agência Incomparáveis
A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB) defendeu, nos últimos dias, que o “fortalecimento das relações económicas entre Portugal e o Brasil depende da criação de redes de contacto que aproximem empresas, investidores, instituições e decisores dos dois países”. Para a entidade, a qualidade do produto e a definição de uma estratégia de internacionalização são “fatores relevantes”, mas “não dispensam o conhecimento dos mercados nem o acesso aos interlocutores certos”.
Na avaliação da CCILB, os negócios internacionais começam antes da assinatura dos contratos. A entrada de uma empresa num novo país exige contactos locais, informação sobre o ambiente empresarial e capacidade para compreender diferenças jurídicas, fiscais, culturais e operacionais. Apesar da língua comum e da proximidade histórica, Portugal e Brasil mantêm realidades próprias, que devem ser consideradas na preparação de investimentos e parcerias.
Otacílio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, sustenta que o “networking permite reduzir barreiras, acelerar negociações e conferir maior segurança às decisões empresariais”. Neste contexto, a CCILB procura funcionar como “uma ponte entre os dois mercados, ligando empresas que pretendem internacionalizar as suas operações a parceiros, entidades públicas e estruturas de apoio já integradas no ecossistema económico luso-brasileiro”.
Esta articulação ganha relevância com o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Os dois blocos assinaram, em 17 de janeiro de 2026, o Acordo de Parceria e o Acordo Comercial Intercalar, cuja aplicação provisória começou em 1 de maio. O Acordo de Parceria continua sujeito ao processo de ratificação, mas o novo enquadramento comercial abre espaço para ampliar exportações, investimentos e cadeias de valor entre os dois blocos.
Para a CCILB, o acordo precisa agora de “ações efetivas e concretas” que permitam “transformar o enquadramento político e comercial em resultados para as empresas”. Missões empresariais, encontros setoriais, identificação de parceiros, partilha de informação e acompanhamento dos projetos serão determinantes, na visão de Otacílio Soares, para que Portugal reforce a sua posição como “porta de entrada na União Europeia e o Brasil como plataforma de acesso ao Mercosul”.
“A aproximação entre os dois países deverá ser medida pela capacidade de converter relações institucionais em investimento, emprego e negócios”, finalizou o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira.
Ígor Lopes