Imagem: Cláudio Motta, presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais. Foto: Agência Incomparáveis
O presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais, Cláudio Motta, valorizou o impacto da missão empresarial realizada entre 20 e 24 de abril em Ponta Delgada, sublinhando a receção institucional recebida, a presença de 32 empresários mineiros e a assinatura de novos acordos destinados a projetar a instituição em Portugal e no espaço atlântico.
Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, no âmbito da referida missão empresarial, Cláudio Motta fez um balanço detalhado da iniciativa, destacou os setores económicos envolvidos, explicou a relevância histórica de Andrelândia na relação com os Açores e apontou novas metas de internacionalização para a instituição. Esta missão, segundo disse, teve como objetivos “reforçar ligações económicas e institucionais entre Minas Gerais e o arquipélago, promover oportunidades de investimento, estimular contactos empresariais, realizar rondas de negócios e valorizar setores estratégicos como agroindústria, turismo, tecnologia, ambiente e comércio”.
Cláudio Motta não deixou de mencionar a importância de a missão decorrer nos Açores, destacando que o caracter internacional da Casa dos Açores de Minas Gerais, que “é a mais recente casa inaugurada no Brasil e a oitava no país”.
Motta defendeu que a aproximação económica entre os dois territórios deve assentar em valores sólidos, afirmando que “essas conexões empresariais não só trazem valores de empreendedorismo, mas, acima de tudo, valores humanos, valores de transparência, de ética, de credibilidade”.
Este dirigente destacou também o caráter inédito da visita, sublinhando que a comitiva foi recebida pelo governo açoriano “de forma única, porque é a primeira vez que uma missão de Minas Gerais vem aos Açores com 32 empresários”.
Sobre a composição da delegação, explicou que a missão trouxe “empresários do segmento de leite, derivados e principalmente produção de queijos”, acrescentando que “os queijos de Minas são conhecidos na Zona da Mata, das Vertentes e, principalmente, do Sul de Minas”.
Este líder associativo revelou também a presença de empresários ligados à inovação e à tecnologia, afirmando que, “nesse momento, estamos apresentando uma tecnologia inovadora brasileira e que pretende ser mineira também, através da Casa dos Açores”.
Também da área do turismo estiveram presentes empresários mineiros, uma vez que se trata “do maior negócio do mundo”, até porque o setor do turismo representa, em Minas Gerais, “em torno de 35 milhões de turistas internos”.
Sobre o turismo nos Açores, Cláudio Motta sublinhou que o arquipélago está a ser conduzido “de uma forma muito sábia”, acrescentando que “já chegam a quase um milhão e quinhentos mil turistas”. Motta apontou afinidades naturais entre os dois territórios.
“Temos montanhas nos Açores, temos montanhas em Minas, temos aqui vulcões, não temos em Minas, mas temos cachoeiras, cascatas dos dois lados e queremos trazer essa conexão do turismo nessas duas regiões fundamentais”, referiu.
Ao detalhar os pilares económicos comuns entre Minas Gerais e os Açores, Cláudio Motta afirmou que “as três vertentes da Casa dos Açores de Minas Gerais são exatamente as ligadas aos Açores”, ou seja, o turismo, a energia limpa e as bacias leiteiras, até porque “as bacias leiteiras de Minas Gerais e dos Açores são as maiores do Brasil e de Portugal”.
Neste sentido, comentou que foram lançados convites institucionais ao governo dos Açores para participar na próxima Feira Internacional de Vinhos, que vai ser realizada em Belo Horizonte, e que também terá uma componente turística, o que permitirá aos Açores “levar para o Brasil os seus produtos para que façamos também essa conexão turística importante”.
Sobre a presença do prefeito de Andrelândia na missão, Francisco Reginaldo Nogueira, Motta disse que a decisão resulta de investigação histórica recente.
“Fizemos recentemente uma pesquisa aprofundada e descobrimos que Minas Gerais tem uma relação muito próxima com os Açores”, afirmou, acrescentando que existem “descendentes dos Açores por todo o Estado, principalmente nas regiões do Sul de Minas, começando por Ouro Preto, passando por Prados, Lagoa Dourada, Resende Costa, Tiradentes e outras cidades mais, chegando até Andrelândia”.
Cláudio Motta atestou, de forma especial, que o município mineiro, Andrelândia, “é a única cidade em Minas Gerais fundada por um açoriano, André da Silveira”, acrescentando que isso ocorreu “a partir de 1760, não se sabendo a data exata”.
Prosseguindo a explicação histórica, referiu que André da Silveira “construiu uma catedral em Andrelândia e trouxe do Porto a Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação”, uma imagem religiosa que permanece no município mineiro, sendo padroeira da cidade.
Uma réplica da imagem foi entregue ao autarca da Horta, durante deslocação à margem da missão ao Faial, quando o prefeito de Andrelândia, Claudio Motta e o diretor regional das Comunidades, José Andrade, estiveram juntos em prol da renovação dessa ligação.
Cláudio Motta revelou que a deslocação ao Faial fez parte da estratégia de reencontro histórico.
“Estivemos na ilha do Faial, à cidade da Horta, onde nasceu André da Silveira”, afirmou.
Cláudio Motta justificou essa visão histórica afirmando que “o Brasil precisa realçar esse ponto da história, porque, se nós não sabemos de onde viemos, não sabemos nunca e nunca saberemos para onde vamos”.
Uma missão com avaliação “perfeitamente positiva”
Ao fazer o balanço global da missão, Cláudio Motta mostrou total satisfação com os resultados alcançados.
“Foi uma missão perfeitamente positiva”, afirmou, acrescentando que foi feita “uma avaliação criteriosa, harmoniosa e que foi fantástica”.
Este dirigente destacou a forma como a comitiva foi acolhida, sublinhando que “tivemos uma receção extraordinária do governo dos Açores em todos os aspetos. Fomos recebidos com muito carinho, com muita gentileza”. Reflexos que levam Cláudio Motta a revelar a intenção de repetir a iniciativa.
“Queremos fazer a segunda, a terceira, a quinta, a décima, se Deus quiser, muitas outras missões”, acrescentou.
Sobre o acordo assinado nos Açores que formalizou a Delegação de Lisboa da Casa dos Açores de Minas Gerais, este responsável explicou que “a Casa dos Açores de Minas Gerais precisava ter braços”.
“Por isso, foi criada uma representação institucional em Andrelândia, a cidade fundada por André da Silveira, e criamos também uma representação internacional, que é exatamente na cidade de Lisboa, com dois empresários importantes, Alexandre Brodheim e Pedro Gouveia, empresários que vieram aos Açores para assinar connosco um termo de cooperação de parceria e de delegação institucional para que possamos gerar oportunidades verdadeiras de negócio entre os empresários mineiros, Portugal, Açores e outras partes do mundo”, acrescentou Cláudio Motta.
Na sua opinião, a missão estratégica da instituição é ser “essa conexão importante luso-brasileira”. Nessa mesma linha, acrescentou que pretende que a entidade seja “um fator determinante de contribuição dessas duas nações importantes, mas, acima de tudo, uma conexão para o mundo”.
“Com toda a modéstia, mas, acima de tudo, com muito valor e coragem, queremos que a Casa dos Açores de Minas Gerais se torne referência entre as Casas dos Açores existentes no mundo”, afirmou.
Missão coincidiu com celebrações pelo “Dia da Comunidade Luso-Brasileira”
No “Dia da Comunidade Luso-Brasileira”, celebrado a 22 de abril, Cláudio Motta deixou também uma mensagem simbólica, desde os Açores.
“Hoje é um dia muito importante para o Brasil, porque é o dia em que nós fomos descobertos. E é fundamentalmente importante porque é o “Dia da Comunidade Luso-Brasileira”, afirmou, acrescentando que “nesse dia muito especial, nós estamos aqui nos Açores, que fazem parte fundamental dessa nação portuguesa enquanto um arquipélago de nove ilhas”.
O presidente da instituição considerou, por isso, “pertinente que a Casa dos Açores de Minas Gerais pudesse desde o arquipélago dar os parabéns a todos os luso-brasileiros do mundo”.
Na mesma mensagem, defendeu que essa comunidade “está espalhada por uma diáspora imensa portuguesa e açoriana” e “precisa cada vez mais se reforçar, precisa cada vez mais entender as suas razões, os seus propósitos, as suas raízes”.
O responsável concluiu com uma declaração identitária.
“A nossa língua é a nossa pátria, por isso a importância dessa comunidade Luso-Brasileira”, finalizou.
Visita ao Faial reforçou elo histórico entre Horta e Andrelândia
No decurso da missão empresarial da Casa dos Açores de Minas Gerais aos Açores, realizou-se, no dia 23 de abril, um programa paralelo na ilha do Faial que integrou o prefeito de Andrelândia, Francisco Reginaldo Nogueira; o presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais, Cláudio Motta; e o diretor regional das Comunidades do governo dos Açores, José Andrade.
A deslocação incluiu encontros institucionais na cidade da Horta, nomeadamente com o presidente da Câmara Municipal local, Carlos Ferreira, assumindo particular simbolismo pela ligação histórica entre o Faial e o município mineiro fundado por André da Silveira.
Também em declarações à nossa reportagem, Cláudio Motta explicou o significado da homenagem levada à Horta, diretamente associada ao fundador de Andrelândia.
“Quando o André da Silveira foi para o Brasil, ele mandou construir nas terras dele a igreja que hoje é a igreja da cidade de Andrelândia”, disse.
Sobre a herança religiosa preservada no município brasileiro, o dirigente explicou que André da Silveira “mandou trazer do Porto a Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação, que está até hoje na catedral de Andrelândia”, e que é a padroeira da cidade.
Cláudio Motta revelou depois o gesto simbólico preparado para a visita oficial ao Faial, afirmando que teve “a ideia de fazer uma réplica da imagem de Nossa Senhora, autorizada pelo padre local e pelo bispo”, acrescentando que a imagem foi entregue pela primeira-dama de Andrelândia, Tânia, ao autarca da Horta.
O presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais descreveu ainda as reações vividas durante a cerimónia institucional, sublinhando que “o prefeito ficou tão emocionado que chegou às lágrimas”.
Sobre os cuidados no transporte da imagem religiosa entre o Brasil e os Açores, explicou que “ambas as coroas vieram separadas e tudo foi trazido em mãos pela primeira-dama da cidade”, ou seja, “não despachou a mala, não colocou nem na bagagem de mão, trouxe com todo o cuidado, colocou no colo, viajou com ela no colo”.
“Daí a importância do detalhe da história tão espetacular”, concluiu Cláudio Motta.
Ígor Lopes