Do Rio de Janeiro à Alemanha, Carla Schmidt constrói pontes lusófonas através dos livros

Imagem: Carla Schmidt, editora, escritora e estratega de comunicação e fundadora da JUST. Verlag, editora independente sediada na Alemanha. Fotos: divulgação/acervo pessoal

Há três décadas na Alemanha, Carla Schmidt transformou a experiência entre duas culturas numa plataforma de circulação literária. Aos 49 anos, a editora, escritora e estratega de comunicação dirige a JUST. Verlag, editora independente sediada no país europeu, criada com o propósito de aproximar autores, leitores e profissionais de diferentes mercados, com particular atenção à literatura em língua portuguesa.

Natural do Rio de Janeiro, Brasil, Carla Schmidt é formada em Musicologia e Estudos Medievais, possui um MBA em Comunicação Integrada de Marketing e desenvolve, atualmente, investigação nas áreas da liderança feminina, comunicação e burnout, enquanto doutoranda na Edinburgh Business School. Além de dirigir a JUST. Verlag, trabalha como consultora de comunicação através da SPARKS Communication, é palestrante e autora do livro “I DID IT MY WAY”.

A estreia da JUST. Verlag na Feira do Livro de Frankfurt, prevista para outubro deste ano, representa uma nova etapa neste percurso. A editora prepara uma participação coletiva destinada a apresentar obras, promover autores e estabelecer contactos com editoras, agentes literários, tradutores e outros profissionais do setor. Com atividade desenvolvida na Alemanha, em Portugal, na Suíça e no Brasil, Carla Schmidt procura reforçar a ligação entre o mercado editorial alemão e o espaço lusófono, num trabalho que combina publicação, tradução, comunicação e internacionalização. Em entrevista à nossa reportagem, explica a missão da JUST. Verlag, as oportunidades abertas aos escritores e os desafios de fazer chegar a literatura em língua portuguesa a novos públicos.

A JUST. Verlag prepara a sua estreia na Feira do Livro de Frankfurt desde a criação da editora. O que representa este momento para si e para o projeto editorial, e quais são as principais expectativas para esta primeira participação?

A presença da JUST. Verlag na Feira do Livro de Frankfurt representa a concretização de uma visão que existia desde a fundação da editora. Criei a JUST. Verlag com a convicção de que boas histórias merecem ultrapassar fronteiras. Frankfurt é o maior encontro editorial do mundo e, para nós, é muito mais do que uma feira comercial. É um espaço de diálogo internacional, de construção de redes e de criação de oportunidades para os nossos autores. A minha expectativa é apresentar o catálogo da editora ao mercado internacional, estabelecer novas parcerias e mostrar que existe uma literatura de enorme qualidade em língua portuguesa pronta para conquistar novos leitores.

A proposta da JUST. Verlag vai além da exposição de livros, apostando numa estratégia de internacionalização dos autores. Quais são os principais objetivos desta presença coletiva e que oportunidades pretende proporcionar aos participantes?

O nosso objetivo nunca foi apenas colocar livros numa estante. Queremos posicionar os autores internacionalmente. Por isso, desenvolvemos uma participação coletiva que inclui apresentações, networking, encontros profissionais, ações de comunicação, divulgação internacional e oportunidades de contacto com editoras, agentes literários, tradutores e profissionais do setor. Queremos que cada autor regresse da feira não apenas com uma experiência, mas com novas possibilidades para a sua carreira.

Que perfil de autores, editoras ou projetos literários a JUST. Verlag procura reunir na Feira do Livro de Frankfurt 2026? A iniciativa está aberta apenas a escritores já publicados ou também a novos talentos?

A iniciativa é aberta tanto a autores já publicados como a novos talentos. O critério principal não é o número de livros publicados, mas a qualidade da obra e o compromisso do autor com o seu percurso literário. Procuramos escritores que desejem construir uma carreira internacional e que vejam a Feira de Frankfurt como um investimento no seu desenvolvimento profissional.

Muitos autores podem ter interesse em integrar esta iniciativa. Como funciona o processo de inscrição, quais são as modalidades de participação disponíveis e que apoio será prestado aos escritores antes, durante e após a feira?

Os interessados podem candidatar-se diretamente junto da JUST. Verlag, em: https://www.just-verlag.de/

Existem diferentes modalidades de participação, desde a presença do livro no stand até programas mais completos, que incluem sessões de autógrafos, apresentações, apoio de comunicação, divulgação nas redes sociais e acompanhamento durante todo o processo. O nosso trabalho começa muito antes da feira e continua depois dela, porque acreditamos que a internacionalização não acontece em cinco dias, mas através de uma estratégia consistente. Mais informações podem ser solicitadas por e-mail: info@just-verlag.de

A JUST. Verlag tem vindo a afirmar-se no mercado editorial alemão, mas também com um olhar no público lusófono. Que missão orienta a editora e de que forma pretende contribuir para a projeção internacional da literatura em língua portuguesa e de autores de outras nacionalidades? Há traduções para outras línguas na editora?

A missão da JUST. Verlag é construir pontes entre culturas através da literatura. Publicamos obras de diferentes nacionalidades e acreditamos que uma boa história pode emocionar qualquer leitor, independentemente da sua língua. Sim. Trabalhamos com traduções, sobretudo entre português, alemão e inglês, e pretendemos expandir este trabalho para outras línguas nos próximos anos. O nosso objetivo é tornar autores internacionalmente visíveis e facilitar o diálogo entre diferentes mercados editoriais.

Entre as iniciativas previstas destaca-se o JUST. Literary Award. Qual é a importância deste prémio para a valorização dos autores e que impacto espera que tenha na promoção das obras e no reconhecimento dos seus participantes?

O JUST. Literary Award nasceu para reconhecer a qualidade literária, independentemente do tamanho da editora ou da notoriedade do autor. Queremos criar um espaço onde as obras sejam avaliadas pelo seu mérito e onde novos talentos possam ganhar visibilidade. Esperamos que o prémio contribua para aumentar a projeção internacional dos participantes e incentive ainda mais a circulação de obras entre diferentes países.

A Feira do Livro de Frankfurt é considerada o maior encontro mundial da indústria editorial. O que espera que esta edição de 2026 represente para a JUST. Verlag, para os autores participantes e para o fortalecimento das ligações entre os mercados editoriais internacionais?

Espero que esta edição marque o início de uma presença duradoura da JUST. Verlag em Frankfurt. Queremos fortalecer as relações entre o mercado editorial alemão e os países de língua portuguesa, aproximar autores, editoras e profissionais e mostrar que a literatura continua a ser uma das formas mais poderosas de criar pontes entre culturas.

Em que locais tem atuado com a editora e como escritora?

Ao longo dos últimos, anos participei em projetos editoriais e literários na Alemanha, Portugal, Suíça e Brasil. A JUST. Verlag tem vindo a marcar presença em diferentes eventos internacionais e, em 2026, participará, entre outros, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, na Feira do Livro de Frankfurt, no Salon du Livre de Colmar e Genebra, e em diversos encontros literários na Alemanha. Como autora, tenho apresentado o livro “I DID IT MY WAY” em diferentes cidades europeias e brasileiras.

Como é viver na Alemanha?

Viver na Alemanha ensinou-me o valor da organização, da disciplina e do planeamento. Ao mesmo tempo, nunca perdi as minhas raízes brasileiras. Hoje, sinto que pertenço aos dois países. Essa combinação entre a objetividade alemã e a criatividade brasileira influencia profundamente a minha forma de trabalhar e também a identidade da JUST. Verlag.

Como avalia o campo literário no país?

A Alemanha possui um dos mercados editoriais mais estruturados do mundo, com enorme respeito pelos livros, pelas livrarias independentes e pelos eventos literários. Ao mesmo tempo, existe espaço para novas vozes e para literatura internacional. Vejo um crescente interesse por autores que apresentam diferentes perspetivas culturais, e acredito que a literatura em língua portuguesa tem muito a oferecer aos leitores alemães.

Por fim, quem é Carla Schmidt?

Carla Schmidt é editora, escritora e estratega de comunicação. Sou brasileira radicada na Alemanha há três décadas, fundei a JUST. Verlag com a missão de aproximar culturas através da literatura. Atuo também como consultora de comunicação internacional, palestrante e autora. O meu trabalho centra-se na internacionalização de autores, na valorização da diversidade cultural e na construção de pontes entre os mercados editoriais europeu e lusófono.

Ígor Lopes

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

Brasil: “Super El Niño” expõe desafios de drenagem e ocupação urbana nas cidades

Foto: divulgação A previsão de chuvas acima da...

0

Brasil: Mundial Feminino de 2027 poderá gerar quase 9 mil milhões de reais para a economia brasileira

A realização do Campeonato do Mundo Feminino de...

0

Brasil: FLIP começa hoje com a presença de grandes nomes da literatura portuguesa

Foto: Turismo de Portugal/divulgação José Tolentino Mendonça, Valter...

0